Covid: Sul se torna epicentro da pandemia, e governadores criam consórcio

Vinicius Cordeiro

União visa evitar falta de insumos e potencializar a compra de vacinas. Reunião contou com as presenças de Eduardo Pazuello e do médico Marcelo Queiroga, do Ministério da Saúde.
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Os governadores dos três estados do Sul do Brasil – Ratinho Junior (Paraná), Carlos Moisés (Santa Catarina) e Eduardo Leite (PSDB) – anunciaram um consórcio para superar o pior momento da crise gerada pela covid-19.

No encontro presencial, em Florianópolis, o trio chegou ao consenso de que a região é o novo epicentro da pandemia um dia após PR e RS baterem recordes de mortes registradas em 24h.

Foi descartada a possibilidade de um lockdown conjunto, mas foi montado um plano de coordenação de insumos, como medicamentos, para que não haja desassistência de pacientes com coronavírus. Foram listados os itens que estão com estoque no fim, como por exemplo os cilindros de oxigênio e relaxantes musculares.

Também houve acerto pela integração dos dados estaduais, cooperação mútua em transferências de pacientes e a formação de um bloco próprio para a compra de vacinas.

“Consideramos o Sul como epicentro dessa crise e o Ministério [da Saúde] reconhece. Por mais que se avance em restrições de atividades, o que se apresenta para nós é uma nova doença se compararmos ao ano passado. É um momento novo e muito diferenciado”, destacou o governador Carlos Moisés (PSL), anfitrião do evento.

“Como somos próximos geograficamente e temos uma população parecida nas questões cultural, social e econômica, a ideia é poder trocar experiências e fazer a gestão de medicamentos em conjunto”, completou o paranaense Ratinho Junior (PSD).

O principal destaque é que os três governadores do Sul farão as aquisições de insumos separadamente, mas o controle seja conjunto para que não haja falta de qualquer tipo de medicamento em nenhum dos estados. O mesmo se dará com o transporte de pacientes na fila de espera por leitos, mas isso só deve acontecer quando houver esvaziamento das UTIs. Neste momento, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul têm ocupações acima de 90% das vagas existentes.

PAZUELLO E QUEIROGA PARTICIPAM DA REUNIÃO

Os governadores tiveram duas reuniões: uma entre eles e outra com a presença do general Eduardo Pazuello e o cardiologista Marcelo Queiroga, que fazem a transição do comando do Ministério da Saúde. A pasta se comprometeu em dar suporte na busca pelos insumos necessários.

Também houve uma espécie de liberação para que Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul consigam, por meio do consórcio, mais imunizantes. Apesar disso, as eventuais vacinas obtidas pelos estados do Sul serão inclusas no PNI (Plano Nacional de Imunização).

“Entendemos que a centralidade é fundamental. A articulação para aquisição das vacinas conjuntamente vai provocar maior firmeza com os laboratórios. Mas a priorização é viabilizar dentro do PNI. Não queremos disputa dos estados, é importante ter uma estratégia nacional”, apontou o gaúcho Eduardo Leite (PSDB).

O governador do Rio Grande do Sul ainda destacou que uma cobrança feita é que o Ministério da Saúde adote uma coordenação nacional no combate ao enfrentamento da pandemia. Para Leite, isso não significa a necessidade de um lockdown nacional.

“Defendo e falei ao ministro Queiroga para ele chamar uma reunião com os governadores. A questão do distanciamento foi ideologizada, um debate político que não interessa. Mas é importante que haja uma coordenação técnica por parte do Ministério da Saúde. Não para que o Brasil inteiro faça um fechamento, que não parece fazer sentido por termos estágios diferentes [da pandemia]”, completou.

O modelo foi adotado pelo consórcio dos estados do Nordeste, que acertou a compra de de 37 milhões de doses da vacina russa Sputnik V.

CONSÓRCIO DO SUL PREVÊ QUE SUDESTE VIVA SITUAÇÃO PARECIDA EM BREVE

Eduardo Leite, Carlos Moisés e Ratinho Junior durante o anúncio do consórcio. (Jonathan Campos/AEN)

Um dos temas abordados pelos governadores é que o cenário caótico vivido no Sul se alastre por outros estados.

O aumento das internações em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, por exemplo, foi o que se viu nos três estados sulistas a partir do dia 10 de fevereiro. Por isso o consórcio afirma que se colocará à disposição dos demais estados que necessitarem de ajuda futuramente.

“O Sudeste está vendo o aumento de internações que tivemos há três semanas. Haverá pressão forte em outros estados, enfrentando momentos muito difíceis. Por isso estamos nos organizando para a colaboração entre nós e, ali na frente, com os demais”, apontou Eduardo Leite.

Segundo o governador do Rio Grande do Sul, notou-se uma estabilização da demanda alta no sistema hospitalar. Diante disso, a expectativa é ter um aumento do número de óbitos e depois uma redução na procura por serviços de saúde.

“Os especialistas dizem que tem um prazo, entre seis e oito semanas, até ter enfraquecimento dessa transmissão. Fizemos um fechamento quase que total, e depois uma flexibilização com os horários comerciais. A ideia é compreender que é preciso fechar a torneira, mas abrir para que as pessoas tomem um copo de água e o comércio não quebre no total”, completou Ratinho Junior, destacando os setores econômicos.

A expectativa é que aconteçam reuniões frequentes entre os governadores do consórcio daqui em diante, mas não foram divulgados prazos.

PR, SC E RS ENFRENTAM COLAPSO IMINENTE

Os três estados contam com cenários complicados da pandemia e atribuem a situação crítica à variante brasileira do coronavírus, conhecida como P1. A nova cepa é mais transmissível e faz com que a doença desenvolva as complicações de forma mais rápida.

Ontem, óbitos de 310 paranaenses e 502 gaúchos foram incluídos nos balanços estaduais. Somando as 167 vítimas de Santa Catarina, o Sul representou cerca de 34% das 2.842 mortes de todo o Brasil. Nesta quarta-feira (17), o Brasil bateu novo recorde e acumula 3.149 vítimas da doença.

No Paraná, 96% das UTIs estão ocupadas. Enquanto isso, a fila de espera por internação já conta com 1.357 pessoas com confirmação ou suspeita de covid. Destas, 641 estão com casos graves e precisam de UTI.

Já Santa Catarina passou de 100 mortes de pacientes que aguardavam por leitos. Todas as regiões do estado estão no nível máximo de alerta para a doença, mas o governo não adotará o lockdown por enquanto. Neste momento, são mais de 746 mil infectados e 9.121 mortes.

Por fim, o Rio Grande do Sul está com as UTIs lotadas há duas semanas, havendo colapso na rede privada de Porto Alegre. Segundo os dados estaduais, são 763.794  casos e 15.819 mortes. A taxa de ocupação em leitos de UTI está em 109,3%.

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