CPI da Covid: Ministro da Saúde, Queiroga se esquiva de perguntas e irrita senadores

Redação

Queiroga recebe diagnóstico positivo para Covid em Nova York

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, recusou-se a contrarior o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) publicamente durante o depoimento na CPI da Covid-19. O chefe da principal pasta durante a pandemia se negou a comentar sobre o uso cloroquina, o decreto sugerido por Bolsonaro ontem e também posturas do presidente.

SIGA AO VIVO

O depoimento segue acontecendo na tarde desta quinta-feira. Assista!

Sobre o uso da cloroquina, por exemplo, o ministro causou reações de revolta no relator Renan Calheiros (MDB-AL) e o presidente da CPI, senador Omar Aziz (PSD-AM).

“Essa é uma questão técnica que tem que ser enfrentada pela Conitec (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS). O ministro é a última instância na Conitec, então eu vou precisar me manifestar tecnicamente”, dise Queiroga.

“O senhor compartilha ou não da posição presidente. A resposta é sim ou não”, pressionou Renan Calheiros. “Até minha filha de 12 anos falaria sim ou não”, completou Omar Aziz.

Contudo, a insistência não fez Queiroga mudar. O ministro da Saúde também se recusou a falar sobre a sugestão de Bolsonaro em publicar um decreto contra medidas restritivas e isolamento social.

“Não vou fazer juízo de valor”, afirmou ele, apesar de afirmar que não foi consultado.

QUEIROGA DIZ QUE NÃO AUTORIZOU DISTRIBUIÇÃO DE CLOROQUINA, MAS NÃO SABE SE ISSO É FEITO

Em outras questões sobre a cloroquina, Queiroga cedeu à pressão e reconheceu que não sabe se existe hoje um programa de distribuição do remédio.

“Não autorizei distribuição de cloroquina na minha gestão”, afirmou o atual ministro da Saúde. Depois, ele alegou desconhecimento: “Não tenho conhecimento de que está havendo distribuição de cloroquina na nossa gestão”, completou.

Além disso, Marcelo Queiroga também foi questionado sobre a declaração recente de Jair Bolsonaro, insinuando que a China teria criado o novo coronavírus para uma guerra.

“Os militares sabem o que é guerra química, bacteriológica e radiológica. Será que não estamos enfrentando uma nova guerra? Qual o país que mais cresceu o seu PIB? Não vou dizer para vocês”, afirmou Bolsonaro ontem.

Contudo, a questão foi feita alegando que, apesar da insinuação, não houve citação direta sobre o país asiático, o que deu base para a resposta final do ministro. Apesar de reconhecer que não há indícios sobre guerra, Queiroga disse esperar que “essas relações continuem de forma positiva e não tenhamos impacto para nossa campanha de vacinação”, completou.

CPI DA COVID

Os ex-ministros da Saúde Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich foram os primeiros a depor no Senado.

O general Eduardo Pazuello alegou que teve contato com dois infectados pela Covid-19 no último final de semana, após ter aparecido sem máscara em um shopping de Manaus. Apesar da irritação, a CPI manteve a regra que todos os depoimentos serão presenciais e adiou a ida de Pazuello para o dia 19 de maio.

Além dos ministros da Saúde, também serão escutados o presidente da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), Antônio Barra Torres, e o ex-ministro Ernesto Araújo, das Relações Exteriores.

AGENDA DA CPI DA COVID

Terça-feira (11/05) – Fabio Wajngarten, ex-chefe da Secretaria de Comunicação do governo de Jair Bolsonaro, e representantes da vacina da Pfizer, Carlos Murillo e Marta Diéz.

Quarta-feira (12) – presidenta da Fiocruz, Nísia Trindade, e o diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas.

Quinta-feira (13) – Ernesto Araújo, ex-ministro das Relações Exteriores, e presidente da farmacêutica União Química, Fernando de Castro Marques (empresa que tenta a aprovação da vacina rusa Sputnik V no Brasil.

Previous ArticleNext Article
[post_explorer post_id="762479" target="#post-wrapper" type="infinite" loader="standard" scroll_distance="0" taxonomy="category" transition="fade:350" scroll="false:0:0"]