Curitiba lidera em número de candidatos que apoiam causa LGBT

Fernando Garcel


Thiago Machado, do Metro Jornal Curitiba

A Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT) divulgou na última semana uma lista com 51 nomes de candidatos que são LGBT, ou que se comprometeram com as medidas propostas pela associação. A ação foi batizada “Voto contra a LGBTFOBIA, defendo a cidadania” e busca apoiar políticos que defendam os direitos da população LGBT.

São os próprios candidatos que se cadastram no sistema, assumindo o compromisso de apoiar as medidas propostas pela associação. Na inscr-ção eles definem se são LGBT ou aliados. Até agora Curitiba, com 10 candidatos, lidera a lista das cidades com mais nomes, seguida de Belo Horizonte (MG) e Guaxupé (MG).  O partido com maior participação foi o PSOL (19), seguido do PT (10) e do PPS (5).

Desde a semana passada o número de candidatos que se inscreveram ao menos dobrou, conta o secretário de educação da ABGLT, Toni Reis. “Fizemos essa divulgação e a lista vêm crescendo. São propostas pelo respeito à diversidade, a favor do Estado laico e dos direitos humanos” comenta.

Entre as medidas, está a de penalizar administrativamente a discriminação por orientação sexual, seja praticada por agentes públicos ou privados. A ABGLT também pede que os estatutos dos servidores públicos deem direitos iguais para servidores heterossexuais e LGBT.

CapturarQuestão de gênero

Na área da educação, a associação pede que os candidatos se pautem pela defesa dos “marcos normativos da Constituição Federal e da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional”. No último ano a questão da ‘ideologia de gênero’ movimentou câmaras municipais pelo Brasil e uma série de municípios retirou de seus planos de educação o termo ‘gênero’ — a exemplo do que havia ocorrido com o Plano Nacional de Educação.

Segundo Toni Reis, esse debate foi ‘uma falácia’. “A nossa questão é que se respeite a todos e todas. Ideologia de gênero é uma falácia que foi construída. Nunca foi objetivo de ninguém destruir as famílias tradicionais”, pontuou. Ele também destacou que o movimento LGBT não busca conflito com bancadas religiosas. Reis lembrou que, mesmo com a oposição de alguns parlamentares religiosos que queriam suprimir o trecho, o Estatuto da juventude foi aprovado em 2011 garantindo que “o jovem não será discriminado por sua orientação sexual, idioma ou religião”.

Reis diz que no Congresso a maioria dos parlamentares já apoia a população LGBT, mesmo temendo perder votos. “Muitos dizem ‘eu voto com vocês, mas não divulguem’, porque têm votos entre católicos e evangélicos”.

A lista completa com o nome dos candidatos que apoiam a causa está disponível no site da ABLGBT.

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