Dallagnol comemora Moro no ministério e chama de ridículas insinuações de interesse político do juiz

Roger Pereira

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“Se ele tivesse aspirações políticas, poderia ter se tornado presidente da República, ou mesmo senador, com grande probabilidade de êxito”. Em sua conta no Facebook, o procurador da República Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da Operação Lava Jato no Ministério Público Federal do Paraná, chamou de ridículas as associações da nomeação do juiz federal Sérgio Moro como ministro da Justiça a sua conduta nas ações penais que conduziu na 13ª Vara Federal de Curitiba.

“Neste momento, precisamos fazer uma análise crítica dos ataques que estão surgindo contra a reputação do juiz e da Lava Jato, como aqueles que acusam o juiz de ter, desde sempre, aspiração política. Isso é ridículo. Se o juiz Sergio Moro tivesse aspiração política, ele poderia ter se tornado presidente ou senador nas últimas eleições com alta probabilidade de êxito”, escreveu o procurador. “Mentiras como essa serão repetidas, como outras já usadas no passado, mas não vão abalar a Lava Jato, em que atuam não só um juiz, mas 14 da primeira à última instância. A imparcialidade dos atos e decisões são garantidos pelo próprio sistema recursal”, acrescentou.

Para Dallagnol, o que se vê com a decisão de Moro é “uma pessoa que já demonstrou, com árduo trabalho, elevada qualidade técnica e muito sacrifício pessoal ao longo de 4 anos, que se somaram a uma trajetória pretérita respeitada, o seu comprometimento com o interesse público, com o serviço à sociedade e com o país. Vejo ainda o aproveitamento de uma oportunidade pelo juiz para dar o seu melhor a fim de construir uma sociedade com mais justiça social, mais democracia e mais segurança, assim como menos corrupção, menos impunidade e menos crime organizado”.

Dizendo tratar-se de uma manifestação pessoal, que não representa o sentimento dos demais integrantes da força-tarefa, muito menos uma posição institucional, Deltan analisou de forma positiva a presença de Moro no Poder Executivo. “O juiz Sergio Moro vai ao Ministério da Justiça por um bem maior: consolidar os avanços da Lava Jato e avançar contra o crime organizado, problemas extremamente preocupantes no nosso país, assim como defender o fortalecimento da democracia, que é pressuposto da luta contra a corrupção”.

O procurador lembra que sempre ressaltou que o ambiente de leis favoráveis à corrupção ainda é o mesmo de antes da Lava Jato: prescrição, nulidades, lentidão e penas lenientes favorecem a impunidade. “A mensagem do sistema de justiça criminal é de que a corrupção compensa e inúmeros casos do passado provam isso”. Para ele, como ministro da Justiça, o juiz Sergio Moro poderá impactar ainda órgãos muito importantes para o controle da corrupção, como a Polícia Federal, a CGU e o COAF, ampliando sua influência positiva dos casos em Curitiba para todo o país.

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Roger Pereira
Repórter do Paraná Portal
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