Dallagnol defende atuação de procuradores de SP em caso ligado ao PSDB

Folhapress


O procurador Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba, afirmou nesta segunda (19) que “não é [por] atuação partidária” do Ministério Público Federal que Paulo Vieira de Souza, apontado como operador do PSDB em São Paulo, não foi alvo de pedido de prisão até o momento.
Dallagnol não é responsável pelo caso, que está com a recém-formada força-tarefa de São Paulo, mas defendeu os colegas ao ser questionado sobre reportagem de S.Paulo que apontava mudança de critério na operação para não prender Souza, conhecido como Paulo Preto.
Souza tem conta com R$ 120 milhões na Suíça e foi alvo de sete delações. No entanto, ao contrário do ex-deputado Eduardo Cunha e do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, que foram presos porque tinham contas no exterior e que receberam recursos de propina ou caixa dois, não foi detido.
“São mais de dez colegas com diferentes perfis sem atuação politico-partidária”, diz Dallagnol sobre a força-tarefa de São Paulo.
Ele ressalva que não trabalha no caso, mas diz que pode “afirmar com toda a certeza que a explicação não é atuação partidária”.
O procurador cogita a possibilidade de a Suíça ainda não ter autorizado o uso das informações para que haja a determinação da prisão.
O Ministério Público Federal em São Paulo não tem se manifestado sobre o caso.
A avaliação de Dallagnol foi feita no lançamento da terceira edição do livro “Corrupção”, de autoria do promotor Roberto Livianu, presidente do Instituto Não Aceito Corrupção.
No lançamento, Dallagnol e Livianu debateram sobre o tema, mediados pelo jornalista Thiago Herdy, do jornal O Globo.
Para os debatedores, é necessário que a Lava Jato não se encerre nela mesma e reflita tanto na consciência das pessoas como nas eleições.
“A escolha [eleitoral] tem de ser muito criteriosa. Indivíduo desonesto e corrupto tem que ser riscado do mapa”, disse Livianu.
Questionado sobre a ausência de protestos como os de 2016 neste ano, Livianu acredita que a “pauta do impeachment” era muito forte e houve uma saturação. “As pessoas pensam que cumprem o seu papel manifestando-se em redes sociais”, disse.
Para Dallagnol, o voto é muito mais importante do que ir às ruas, em protestos que, para ele, podem ser pontuais. “Nós podemos muito mais com votos do que indo às ruas esse anos”, afirmou.

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