Defesa de Lula pede anulação do processo e cita convite de Bolsonaro para apontar parcialidade de Moro

Fernando Garcel


A defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva protocolou, na noite de ontem, as alegações finais no processo em que ele é acusado de receber indevidamente um imóvel, em São Bernardo do Campo, além de um terreno destinado ao Instituto Lula, como pagamento de propina pela Odebrecht. Essa é a última etapa do processo antes da sentença do juiz federal Sérgio Moro. Não há prazo para que o magistrado publique sua decisão.

Entre os pedidos, no documento de mais de 600 páginas, os advogados de Lula pedem que o caso seja suspenso até manifestação do do Comitê de Direitos Humanos da ONU. A defesa também pede que o processo seja anulado, tendo em vista que o réu foi tratado como culpado desde a fase inicial do processo, além de que Lula seja absolvido por “insuficiência de provas para condenação”.

Além de pedir a absolvição e anulação do processo, a defesa do ex-presidente também volta a acusar o juiz federal Sérgio Moro de atuar com parcialidade. Agora, o convite do presidente eleito Jair Bolsonaro para que Moro ocupe o cargo de ministro da Justiça é citado pelos advogados.

“Como é sabido, o Sr. Jair Bolsonaro disputou o segundo turno das eleições presidenciais com um correligionário do Defendente. Ao longo da campanha realizou declarações atentatórias ao Estado de Direito e, no que interessa ao processo, ameaçou publicamente o Defendente e seus correligionários, afirmando, em tom de galhofa, que iria ‘varrer do mapa esses bandidos vermelhos do Brasil, que o Defendente iria “apodrecer na cadeia” e que seus aliados políticos, seu concorrente aí incluso, seriam jogados ao cárcere para ‘ficar alguns anos’ ao lado do Defendente”, cita a defesa.

Além de Lula, o ex-ministro Antônio Palocci,  empresário Marcelo Odebrecht, o advogado Roberto Teixeira e outros cinco investigados são réus neste processo. Palocci pede para ter a pena reduzida por ter colaborado com as investigações. A defesa de Marcelo Odebrecht, um dos principais colaboradores da Lava Jato, pede que o magistrado reduza a pena e que ela seja cumprida em regime semi-aberto e aberto, como ficou acertado entre os advogados e o Ministério Público Federal (MPF) nos termos de colaboração. Roberto Teixeira declarou nas alegações finais que é amigo do ex-presidente Lula, que ele jamais negará o fato, e que isso não é crime.

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