Política
Compartilhar

Defesa de Lula sustenta em laudos que material da Odebrecht foi adulterado

A defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva apresentou, nesta segunda-feira, três laudos elaborados por diferent..

Roger Pereira - 02 de abril de 2018, 20:45

Foto: Rovena Rosa / Agência Brasil
Foto: Rovena Rosa / Agência Brasil

A defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva apresentou, nesta segunda-feira, três laudos elaborados por diferentes institutos de informática e contabilidade que apontam que o material eletrônico obtido pela Polícia Federal junto aos sistemas de contabilidade paralela da Odebrecht não pode ser considerado autêntico segundo os padrões forenses e científicos aplicáveis. Os laudos foram emitidos pela britânica CCL Group, pelo Centro Brasileiro de Perícia e por um auditor independente. Por isso, mesmo sustentando que os dados nada provam contra Lula, seus advogados pedem que as mídias sejam retiradas do processo em que o ex-presidente é acusado de receber propina da Odebrecht através da aquisição de um terreno para a sede do Instituto Lula, e seu uso impedido em novas ações judiciais.

A acusação do MPF contra Lula foi baseada no sistema de contabilidade paralela da Odebrecht, que está retratada no sistema denominado MyWebDay. Segundo a denúncia, recursos provenientes de contratos da Petrobras teriam sido direcionados, por meio desse sistema paralelo, para a aquisição de um terreno destinado ao Instituto Lula e também de um apartamento em São Bernardo do Campo, do qual o ex-presidente seria o "proprietário de fato".

A defesa de Lula reclama, na petição, que, até hoje, não teve acesso total aos dados do sistema MyWebDay, mesmo requerendo ao juiz Sérgio Moro a observância do princípio da paridade das armas e da garantia do contraditório, uma vez que o Ministério Público Federal informou ter uma cópia do sistema. Assim, os laudos periciais da defesa referem-se aos dados analisados pela Polícia Federal na ação penal em questão. Lembrando que a própria PF já reconheceu a possibilidade de destruição deliberada de dados e manipulação dos arquivos, a defesa de Lula afirma que as novas perícias indicam que o MPF não conferiu a originalidade do material no momeneto em que o recebeu da Odebrecht; que há arquivos que foram corrompidos deliberadamente, o que por si só invalida a mídia examinada; que as cópias recebidas pelo MPF foram acessadas diretamente por servidores da instituição, “o que também é inadmissível em cópias forenses e as tornam imprestáveis para fins de prova forense”; e que as planilhas existentes no processo que fazem relação a “programação semanal de pagamentos” são rascunhos e apresentam erros, inclusive de somas, não servindo dessa forma como comprovante das operações nela registradas; entre outros questionamentos.