OUÇA: Deltan diz estar cansado com ‘recentes dificuldades’ e que não há heróis na Lava Jato

Vinicius Cordeiro

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Deltan Dallagnol disse, nesta quinta-feira (19), que está cansado das ‘recentes dificuldades da Lava Jato‘ e que não há heróis na operação. O coordenador da força-tarefa em Curitiba também criticou o STF (Supremo Tribunal Federal) na decisão que derrubou o caso de Alberto Bendine e, mais uma vez, se manifestou contra as mensagens publicadas pelo Intercept Brasil.

Deltan deu uma palestra, com duração de uma hora, no Congresso Paranaense de Radiodifusão. Ele não atendeu os jornalistas, mas foi aplaudido em diversas vezes durante sua fala.

O evento, que tem um custo de R$ 350, ainda terá a presença do ex-juiz federal Sergio Moro, atual ministro da Justiça e Segurança Pública, nesta sexta.

Confira os áudios de Deltan e os assuntos abordados por ele na palestra de hoje:

LAVA JATO: SEM HERÓIS E CANSADO DAS ‘DIFICULDADES’

“Sabe essa história que a Lava Jato tem heróis? É uma mentira e é péssima. Nenhum grupo de pessoas vai mudar o país, está claro isso. Quando tem heróis, as pessoas se colocam como expectadores e ficam esperando o duelo de titãs. A gente, na Lava Jato, tem um poder extremamente limitado e pequeno, não se compara ao poder das pessoas que estão em Brasília”, disse em tom de desabafo.

Além disso, Deltan também revelou que já pensou em sair da operação.

“Nesses últimos meses, algumas vezes tive vontade de sair da Lava Jato e ter uma vida menos tumultuada. Depois de cinco anos, me sinto cansado e as recentes dificuldades fazem isso aflorar”, disse. “Mas quando tenho vontade de desistir, eu lembro do meu propósito: reduzir a corrupção e construir um país melhor. Isso faz tudo valer à pena. As pressões, os riscos, as ameaças, o cansaço e o sacrifício”, completou.

Escute os áudios de Deltan:

STF E CASO BENDINE

Deltan Dallagnol também criticou nesta quinta-feira (19) a decisão recente do STF (Supremo Tribunal Federal) que anulou a condenação de Aldemir Bendine, ex-presidente da Petrobras e do Banco do Brasil.

Condenado a 11 anos de prisão por Moro, Bendine respondeu por corrupção e lavagem de dinheiro. Entretanto, no final de agosto, os ministros do STF anularam a sentença.

De acordo com o Supremo, Bendine não foi ouvido na fase correta da instrução penal, o que prejudicou o direto à ampla defesa. Com a decisão, o STF mandou o processo novamente para a 1ª instância. Agora, caberá ao juiz federal Luiz Antônio Bonat, titular da 13ª Vara Federal de Curitiba, reavaliar a ação penal.

A anulação desagradou a força-tarega da Lava Jato. Segundo os procuradores, outras 32 sentenças podem ser anuladas a partir dessa decisão.

“Temos uma decisão recente, que anulou uma condenação da Lava Jato com base em uma nova regra. O fato é que essa regra nunca existiu antes. Não estava nos códigos, nas leis e ninguém nunca tinha falado dessa regra, que é aplicada e derruba tudo. Derruba o caso Bendine e pode derrubar outros casos”, disparou Deltan.

“Chega lá [no STF] e tem entendimento diferente, novo, com o qual a gente não contava na investigação e derruba [o processo] para trás. Isso é contraproducente”, acrescentou.

DELTAN: INVESTIGAÇÕES NO CNMP

Por fim, Deltan ainda revelou que, segundo bastidores, dois procuradores (Lauro Nogueira Machado e Dermeval Farias Gomes) foram rejeitados justamente porque votaram seu favor no passado. O coordenador da Lava Jato em Curitiba vem sendo alvo de reclamações disciplinares no CNMP e corre risco de ser afastado.

“Temos um péssimo ambiente nesse momento e ainda soma-se o ambiente de revanchismo, que aumenta a possibilidade de eu e outras pessoas serem punidos em diferentes âmbitos, como no Conselho Nacional do Ministério Público”, completou Deltan.

FORÇA DA LAVA JATO EM 2019 E O INTERCEPT

Mais uma vez, Deltan voltou a defender a Lava Jato dos ataques sofridos após a publicação de mensagens feita pelo site The Intercept Brasil e outros veículos. O procurador classificou toda a série de reportagens como ‘série de acusações falsas, com base em mensagens descontextualizadas ou deturpadas’.

Para completar, ainda ressaltou o grande trabalho feito na Operação em 2019.

“O trabalho continua e em pleno vigor. Apenas neste ano, já oferecemos 19 acusações criminais, mais que em três anos inteiros da Lava Jato. Só neste ano, a Lava Jato vem recuperando o valor de R$ 2 bilhões por meio de acordos de leniência. E existem outros acordos em negociação. Se tomarmos os 10 maiores acordos da história brasileira de recuperação de valores, oito foram celebrados pela Lava Jato em Curitiba”, finalizou.

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