Deltan Dallagnol responde Intercept: “nunca foi segredo”

Vinicius Cordeiro

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O coordenador da Operação Lava Jato em Curitiba, Deltan Dallagnol, usou sua página no Twitter para responder a nova publicação do site Intercept. Em supostas mensagens, divulgadas nesta segunda-feira (12), Deltan teria pautado “atos públicos, publicações em redes sociais e manifestações”.

“Não reconhecemos as mensagens do Intercept. Agora, nunca foi segredo meu diálogo com entidades da sociedade civil e movimentos sociais, que têm sido essenciais para os avanços contra a corrupção nos últimos anos. Seu mérito deve ser reconhecido. Interagir com eles como procurador e como cidadão na pauta anticorrupção, direta ou indiretamente, é legal, legítimo e saudável”, comentou Dallagnol.

Desde o dia 9 de junho, o site Intercept vem fazendo publicações com mensagens atribuídas a Deltan e outras figuras ligadas à Operação Lava Jato.

As supostas conversas do procurador foram base de mais de um pedido de reclamação disciplinar aberto pelo Conselho Nacional do Ministério Público Federal (CNMP).

Entretanto, o Ministério Público Federal não reconhece as mensagens por terem sido originadas de um ataque de supostos hackers. Quatro suspeitos já foram presos pela Polícia Federal (PF) no âmbito da Operação Spoofing. No interrogatório, um deles admitiu que encaminhou as mensagens ao jornalista Glenn Greenwald, fundador do Intercept, de forma anônima, voluntária e sem cobrança financeira.

O Intercept não comenta sobre suas fontes, mas declarou que espera que a PF tenha “autonomia para conduzir uma investigação isenta” após o ministro da Justiça, Sergio Moro, ligar o grupo de hackers ao site.

LAVA JATO

Enquanto isso, a Lava Jato (LV) segue acontecendo normalmente. A 62.ª fase da operação, chamada de Rock City, foi deflagrada no dia 31 de julho e os procuradores reforçaram que a LV ainda tem muito a investigar.

“Essa fase reforça que a Lava Jato continua firme e forte o seu trabalho de combate à corrupção, de combate à lavagem de dinheiro e de recuperação de valores aos cofres públicos”, disse o procurador Felipe D’Elia Camargo na última entrevista coletiva da operação.

Já o delegado Thiago Giavarotti, também presente na ocasião, reforçou o discurso. “Enquanto for mantida essa parceria republicana entre PF, MPF e Receita Federal, a Lava Jato dá claros indícios que tem um longo caminho a percorrer no combate aos crimes de corrupção e desvios de recursos públicos”, completou.

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