Depois de delação, testemunha de defesa vira testemunha de acusação

Roger Pereira


O ex-contador da Econorte Hugo Ono vai depor, como colaborador, no processo relativo à Operação Integração, que apura o pagamento de propina a autoridades paranaenses por benefícios como aditivos e alteração do cronograma de obras de concessionárias de pedágio que administram trechos do Anel de Integração do Paraná, em especial a Econorte, do grupo Triunfo. O juiz substituto da 23ª Vara Federal de Curitiba, Paulo Sérgio Ribeiro acolheu petição do Ministério Público Federal para que ele fosse arrolado como testemunha de acusação, depois que dois réus no processo, que o indicaram como testemunha, desistiram de sua oitiva.

Depois de acordo de delação, réus desistem de oitiva de contador da Econorte. MPF insiste

Investigado na operação, mas não denunciado pelo MPF, Hugo Ono foi arrolado como testemunha de defesa de Sandro Antônio de Lima (conselheiro da Econorte) e Leonardo Guerra (administrador da Rio Tibagi, subsidiária da concessionária). Na semana passada, no entanto, após a homologação do acordo de delação premiada do contador, ambos os réus desistiram de tê-lo como testemunha, por conta do risco de criarem provas contra si mesmos, o que foi aceito pelo juiz.

O Ministério Público Federal, no entanto, peticionou solicitando que Ono fosse ouvido no processo, uma vez que seu depoimento seria fundamental para a instrução processual. Como as testemunhas de acusação no processo já foram ouvidas e Ono não estava entre os indicados pelo MPF, as defesas se manifestaram contra o depoimento.

Em audiência na tarde desta segunda-feira, no entanto, o juiz determinou que o delator seja ouvido. “Ressalte-se que neste caso o termo de acordo de colaboração premiada foi firmado no curso da instrução, fato novo que autoriza o novo pedido de oitiva formulado pelo MPF no curso da instrução”, decidiu o juiz, que ainda não marcou data para o depoimento.

Em seu acordo de delação, Ono relatou pagamento de R$ 20 mil mensais a agentes públicos, incluindo o ex-assessor da Casa Civil do governo Beto Richa (PSDB) Carlos Nasser a assinatura de contratos de honorários advocatícios com Rodrigo Tacla Duran, na ordem de R$ 480 mil, sem a prestação de nenhum serviço neste sentido. Hugo Ono recebeu como recompensa pela colaboração a redução de pena de oito anos de prisão em regime fechado para quatro horas semanais de serviços comunitários durante dois anos. Além disso, terá de devolver em três parcelas R$ 50 mil a título de reparação dos danos. Ele não teve bens confiscados.

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Repórter do Paraná Portal
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