Política
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Deputados petistas denunciam Dallagnol por jejum pela prisão de Lula

Os deputados federais Wadih Damous (PT-RJ) e Paulo Pimenta (PT-RS) protocolaram na Corregedoria do Conselho Nacional do ..

Jordana Martinez - 04 de abril de 2018, 15:49

Um dos principais integrantes da força-tarefa da Operação Lava Jato vai falar sobre os percalços para alcançar o sucesso.
Um dos principais integrantes da força-tarefa da Operação Lava Jato vai falar sobre os percalços para alcançar o sucesso.

Os deputados federais Wadih Damous (PT-RJ) e Paulo Pimenta (PT-RS) protocolaram na Corregedoria do Conselho Nacional do Ministério Público Federal (MPF) uma denúncia contra o coordenador da força-tarefa da Lava Jato, o procurador Deltan Dallagnol.

É uma "representação disciplinar" por conta da afirmação que Dallagnol fez no Twitter  de que estaria de "jejum, em oração e torcendo pelo País", pela prisão do ex-presidente Lula até o julgamento do habeas corpus no Supremo Tribunal Federal (STF).

Deltan disse ainda que o cenário não é bom e que uma “derrota” vai significar que a maior parte dos corruptos de diferentes partidos jamais será responsabilizada na Lava Jato.

Segundo a denúncia, a declaração do procurador fere princípios como a legalidade, impessoalidade, imparcialidade e, ainda, o artigo 4º do Código de Ética e de Conduta do Ministério Público da União que proíbe, expressamente, que “convicções de ordem político-partidária, religiosa ou ideológica afetem sua isenção”.

Nesta semana o procurador Dallagnol também divulgou um abaixo assinado no Twitter a favor da prisão depois da condenação em segunda instância. O manifesto é organizado pela ONG Observatório Social e conta com cerca de 55 mil assinaturas. O abaixo-assinado deve ser entregue hoje aos ministros do STF. O procurador Carlos Lima, que integra a equipe da força-tarefa da Lava Jato, também se manifestou nas redes sociais sobre o assunto.

Durante a última semana, Lima fez várias postagens a respeito. Em uma delas por exemplo ele declara que a Constituição não permite a impunidade e que a prisão após a condenação em segundo grau é uma forma de compatibilizar o sistema. Em outra postagem Carlos Lima destaca que “o poder corrompe. A vontade de chegar ou voltar ao poder corrompe. É preciso respeito às instituições e a lei”.

A assessoria de imprensa do Ministério Público Federal no Paraná informou que o órgão não irá se manifestar oficialmente sobre as postagens, no entanto, lembra que a instituição já vem se manifestando a favor do posicionamento adotado pelo STF em 2016. Na quarta-feira, os 11 ministros do STF vão julgar o habeas corpus preventivo no qual a defesa de Lula tenta evitar a execução da pena.

Nesse caso, o ex-presidente foi condenado pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro por meio da doação e reforma feita pela OAS no triplex do Guarujá em troca de contratos com a Petrobras.