Deputados votaram contra Temer mas garantiram quórum para salvá-lo

Roger Pereira


Ointenta e nove deputados que votaram contra pela investigação do presidente da República Michel Temer na sessão da última quarta-feira, na Câmara Federal, acabaram ajudando os aliados do governo a arquivar a denúncia. Isso porque eles registraram presença no plenário, garantindo quorum para a votação, contrariando decisão da bancada de oposição de dificultar a formação do quorum para tentar adiar a sessão e aumentar o desgaste do presidente.
Cientes de que não conseguiriam a votação necessária para derrubar o relatório da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) contrário à autorização da Câmara para que o Supremo Tribunal Federal abrisse investigação contra Temer, a oposição agiu para evitar que o número mínimo de deputados para a votação fosse atingido na sessão, decidindo não registrar presença.
Com a necessidade de reunir 342 deputados no plenário, a base governista sofreu para conseguir o quorum: a sessão, que foi aberta às 9h30, foi interrompida por falta de quórumo e, apenas às 17h30 foi que o número mínimo de deputados em plenário foi atingido. Como, na votação, 251 parlamentares votaram em favor do relatório e houve, ainda, duas abstenções de deputados que registraram presença desde a manhã, oitenta e nove parlamentares que votaram contra o relatório garantiram o quórum a Temer e, apesar de terem votado pela abertura de investigação, ajudaram o governo a arquivá-la.
A conduta destes deputados foi duramente criticada pela bancada de oposição, com a alegação de que os parlamentares agiram para beneficiar Temer, ao mesmo tempo em que agradaram a opinião pública votando pela abertura de investigação. “Eu respeito todo Parlamentar que tem lado, seja lado certo, seja lado errado, mas ele tem que terlado. O Parlamentar que vai e defende Temer eu tenho que respeitar. Agora, eu não tenho o menor respeito pelo hipócrita, pelo falso, por aquele homem, por aquela mulher, por aquele Parlamentar que quer iludir a opinião pública”, afirmou o deputado Silvio Costa (PTdoB-PE), em plenário. “Os 513 Deputados desta Casa sabiam que, na hora que completasse 342 no painel, Michel Temer sairia vitorioso. Então, um parlamentar, de forma cínica, e muitos vão fazer isso, chega e me diz assim: Sílvio, eu vou dar presença. Agora vou votar contra Temer. Esse é um voto hipócrita! É um voto sujo! É um voto que não serve ao País! É o voto da pior negociata!”, afirmou.
Entre os deputados paranaenses, quatro votaram contra Temer depois de terem registrado presença no momento em que se atingiu o quórum: Christiane Yared (PR), Fernando Francischini (Sd), Leandre (PV) e Sandro Alex (PV). Ao Paraná Portal, eles justificaram que, apesar da convicção de que Temer precisava ser investigado, não compactuavam com a estratégia de oposição política da bancada da minoria. “Por que era uma estratégia de ‘oposição politica’ e eu não estava votando por isso, estava votando por que acredito que ninguém está acima da lei. Minha obrigação era de estar lá e enfrentar o assunto e não fazer manobras”, disse Leandre. “Não dar quorum era ajudar aqueles que venderam seu voto para Governo e estavam exigindo pagamento antecipado para comparecer no plenário. Não comparecer para votar também era fazer o jogo do quanto pior melhor ( manter o governo sangrando) da oposição radical feita pelo PT e partidos de Esquerda. Quem votava para autorizar investigação, por coerência, compareceu para votar independente do resultado”, argumentou Francischini.
Sandro Alex disse que jamais aderiria a uma estratégia de se ausentar do plenário e lembra que a não votação do parecer manteria o Supremo sem autorização para investigar o presidente. “Eu sempre votei a favor de todas as investigações e mantive meu voto, coerente. Essa obstrução de não dar quórum não garantia a investigação. Não havia lógica na estratégia da oposição de não dar quórum. É uma oposição burra, que não beneficava o Brasil. Minha obrigação como parlamentar é estar presente na Câmara. Me ausentar de qualquer discussão ou votação na Casa é que não é democrático e em nada contribui para o processo”.

Previous ArticleNext Article
Roger Pereira
Repórter do Paraná Portal