Desmatamento na Amazônia aumenta mais de 100% em novembro, diz Inpe

Phillipe Watanabe e Folhapress

ricardo salles, inpe, meio ambiente, desmatamento, floresta amazônica, recorde, ebc

O desmatamento mensal na Amazônia voltou a ter um acentuado aumento. Em novembro, a destruição do bioma medida pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) foi 104% maior em relação ao mesmo mês do ano passado.

Conforme o Inpe, houve um aumento de 84% no desmate em 2019, na comparação com o mesmo período anterior.

Os dados são do Deter (Sistema de Detecção do Desmatamento em Tempo Real), do Inpe. O sistema visa auxiliar as ações do Ibama de combate à destruição da floresta. Mesmo não servindo especificamente para medir o desmate, o sistema pode ser usado para apontar tendências da derrubada de mata.

O Deter, desde o fim do ano passado, já vinha apontando um crescimento acentuado no desmatamento. Alertado sobre os dados, o governo Jair Bolsonaro os questionou. O caso culminou na demissão do então diretor do Inpe, Ricardo Galvão. Além disso, ele foi eleito nesta sexta (13) um dos dez principais cientistas do ano pelo prestigiosa revista Nature.

A tendência de alta de desmate apontada pelo Deter se confirmou. No início de novembro, os dados anuais de destruição da Amazônia medidos pelo Prodes (esse, sim, um sistema destinado a essa medição) mostraram aumento de 29,5% em relação ao ano anterior. Considera-se para comparação o período que vai de agosto de um ano até julho do ano seguinte.

DESMATAMENTO BATE RECORDE NEGATIVO 

desmatamento amazonia, desmatamento, crescimento desmatamento, amazonia, inpe brasil
(Divulgação/AEN)

O crescimento percentual apontado pelo Prodes é o maior desde 1998. De acordo com o sistema, a taxa de desmate bateu o recorde da última década.

O Deter tem mostrado acentuados aumentos de desmatamento na Amazônia desde junho, mês no qual houve crescimento de 90%. Em julho, agosto e setembro, os números foram ainda mais preocupantes, com aumentos, respectivamente, de 278%, 222% e 96% (sempre em comparação com o mês correspondente em 2018).

Outubro foi o único mês recente a apresentar crescimento de desmate mais modesto, de 5%.

Mesmo com as altas constantes, Ricardo Salles, ministro do Meio Ambiente, ainda não apresentou planos para reverter a situação.

Em entrevista recente ao jornal Folha de S.Paulo e ao portal de notícias UOL, se limitou a dizer que, se o aumento do desmate no próximo ano for menor do que 29,5%, “será uma conquista”.

“É necessário ter uma estratégia que faça o desmatamento ilegal diminuir ano a ano”, disse, sem entrar em detalhes.

Enquanto isso, o ministro também mantém o discurso de que o Brasil ainda é um exemplo de conservação e de que os países ricos devem pagar pela proteção à natureza feita no país.

Recentemente, após se reunir com infratores ambientais – entre eles, o autor de uma ameaça de morte contra um servidor do ICMBio -, o ministro suspendeu a fiscalização na reserva Chico Mendes.

 

Previous ArticleNext Article