Doleiro preso escolheu cidade paranaense “a dedo” para burlar condenação na Lava Jato

Francielly Azevedo

O doleiro Raul Henrique Srour preso, nesta quarta-feira (10), após uma investigação do Ministério Público do Paraná, teria escolhido a cidade de Jandaia do Sul, no norte-central do Paraná, “a dedo”, de acordo com a promotora Fernanda Lacerda Trevisan Silvério, da 1ª Promotoria de Justiça de Jandaia do Sul. Srour foi condenado na Operação Lava Jato a cinco anos e cinco meses de reclusão em regime semiaberto. Para burlar a condenação teria emitido um falso contrato de trabalho para mudança de domicílio.

A falsidade foi praticada para assegurar que ele não cumprisse pena em unidade prisional no estado de São Paulo, onde existem estabelecimentos destinados ao regime semiaberto. “Como no estado de São Paulo existem unidades preparadas para o atendimento do regime semiaberto, ele buscou toda essa manobra para evitar que ele cumprisse pena lá, porque no Paraná nós temos uma dificuldade imensa de comportar condenados do regime semiaberto”, disse.

A promotora explica que em vários municípios do Paraná não existem unidades para o cumprimento do regime semiaberto, nestes casos se cumpre a pena com tornozeleira eletrônica porque não é possível encaminhar os condenados para Colônias Penais Agrícolas.

Conforme a promotora, o caso de Jandaia do Sul é ainda mais específico, pois existe uma portaria, de 2011, quando o Estado não dispunha de muitas tornozeleiras, que permite o cumprimento do semiaberto só com o recolhimento domiciliar noturno, sem a necessidade do equipamento eletrônico. Isso teria atraído o doleiro para o município.


“Essa é uma situação em que a fiscalização é praticamente nula, não temos estrutura para fiscalizar se a pessoa está se recolhendo ou não. Por conta dessa portaria é que ele foi atraído aqui para Jandaia, tanto que ele fez o requerimento de retirada da tornozeleira o que permitiria que ele ficasse bem à vontade”, explicou.

Conforme a promotora logo após ter a condenação confirmada em segunda instância e o cumprimento do regime semiaberto, o doleiro alterou seu domicílio para a Jandaia do Sul. Mas nunca teve nenhum vínculo profissional ou pessoal na cidade. “Nunca teve nenhum vínculo familiar, nem pessoal, nem profissional, a mudança coincide realmente no momento em que a condenação é confirmada”, ressaltou.

O doleiro, dois advogados e os proprietários da gráfica onde Srour supostamente trabalhava foram denunciados pela prática dos crimes de associação criminosa e falsidade ideológica.

A reportagem tentou contato com o escritório de advocacia responsável pelo processo de Srour, mas foi informada que a defesa não irá se manifestar.

INVESTIGAÇÃO

Conforme o Ministério Público do Paraná (MP-PR), para justificar a mudança, o doleiro apresentou à justiça um falso contrato de trabalho, celebrado com uma gráfica da cidade de Borrazópolis (na comarca de Faxinal), que o teria contratado como “vendedor autônomo”.

Segundo a promotora, as investigações demonstraram que o doleiro jamais exerceu a função de vendedor e tampouco pretendia fazê-lo.

CONDENAÇÃO

Em 2016, o juiz federal Sergio Moro condenou o doleiro a sete anos e dois meses por lavagem de dinheiro e falsa identidade para operação de câmbio. Após recorrer, o Tribunal Regional Federal da 4ª Região diminuiu a pena de Raul.

De acordo com a denúncia do Ministério Público Federal (MPF), ele é acusado de atuar no mercado de câmbio negro e de estar envolvido na prática de diversos crimes financeiros. Ele teria movimentado quase R$ 3 milhões.

 

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Jornalista, formada pela Universidade Tuiuti do Paraná. Repórter do Paraná Portal e Rádio CBN. Tem passagens pela TV éParaná, TV Assembleia, TV Transamérica, CATVE, Rádio Iguassu e Folha de Londrina.
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