Edison Lobão e mais sete são acusados de corrupção em contratos de R$ 1,5 bilhão

Angelo Sfair

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O ex-ministro Edison Lobão (MDB) e outras sete pessoas foram denunciados nesta terça-feira (29), por corrupção e lavagem de dinheiro, pela força-tarefa da Operação Lava Jato no Paraná. A acusação está relacionada a 44 contratos da Transpetro avaliados em R$ 1,5 bilhão.

De acordo com o MPF-PR (Ministério Público Federal no Paraná), a subsidiária de transportes da Petrobras assinou os contratos fraudulentos com empresas do Grupo Estre (Pollydutos, Estre Ambiental, Estaleiro Rio Tietê) e com o Consórcio NM Dutos-OSBRA (NM Engenharia e Construções Ltda e Pollydutos Montagem e Construção Ltda).

De acordo com a denúncia oferecida pela força-tarefa Lava Jato no Paraná, os 44 contratos foram assinados entre 2008 e 2014. O ex-senador Edison Lobão recebeu parte da propina negociada pela subsidiária de Petrobras. Neste período, via de regra, o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado solicitava e recebia propina que variava entre 1% e 4% do valor dos contratos e aditivos.

Em contrapartida, Edison Lobão usava a influência como Ministro de Minas e Energia para manter Machado no cargo, cuja indicação era de responsabilidade do MDB.

OS DENUNCIADOS

  1. Edison Lobão: ex-ministro
  2. Márcio Lobão: filho de Edison Lobão
  3. Wilson Quintella: ex-presidente do Grupo Estre
  4. Antônio Kanji: ex-funcionário do Grupo Estre
  5. Fernando Nave Maramaldo: executivo da NM
  6. Nelson Cortonesi Maramaldo: executivo da NM
  7. José Sérgio de Oliveira Machado: ex-presidente da Transpetro
  8. Carlos Dale Junior: proprietário da Galeria Almeira & Dale

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EDISON LOBÃO NA MIRA DA LAVA JATO

A 65ª fase da Operação Lava Jato investiga crimes de corrupção em mais de 40 contratos, divididos em dois núcleos de corrupção. Um deles está ligado aos acordos da Transpetro, subsidiária da Petrobras, com o Grupo Estre. Outro núcleo concentra os contratos e aditivos relacionados à construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, cujas propinas foram pagas pelo Grupo Odebrecht.

A denúncia oferecida pela força-tarefa nesta terça-feira (29) está relacionada ao primeiro núcleo de investigação, com foco nos contratos da Transpetro.

O ex-senador é suspeito de solicitar e receber cerca de R$ 50 milhões em propina. No período das supostas fraudes — ou seja, entre 2008 e 2014 — o patrimônio do filho de Edison Lobão, Márcio Lobão, saltou de R$ 8,9 milhões para R$ 44 milhões.

De acordo com a Lava Jato, Edison Lobão não foi alvo de buscas e apreensões na 65ª fase da Operação Lava Jato. O filho dele, Márcio Lobão, foi preso preventivamente no Rio de Janeiro (RJ) e depois foi levado para Curitiba. A força-tarefa pretendia avançar nas investigações a partir das provas coletadas com o filho do ex-ministro e com operadores ligados à família.

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