Não ficaremos reclamando de herança maldita, diz Paes ao tomar posse no Rio

Italo Nogueira - Folhapress

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O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (DEM), assumiu o cargo nesta quinta-feira (1º) prometendo não se queixar ao longo do mandato do que chamou de “herança perversa” deixada por seu antecessor, Marcelo Crivella (Republicanos).

Em discurso, o prefeito mencionou o pacote de medidas fiscais reunidos em 44 decretos publicados nesta quinta no Diário Oficial municipal.

“Não ficaremos olhando para trás e reclamando de herança maldita. Queremos avançar e enfrentar os problemas, e não perder o rumo com eles. […] Nunca na história do Rio de Janeiro um prefeito recebeu uma herança tão perversa”, disse Paes, em cerimônia na Câmara Municipal.

Entre as ações elencadas estão a redução de 30% de cargos comissionados e cortes de 30% em contratos vigentes, além de auditoria e suspensão de pagamentos de restos a pagar.

A fala de Paes foi uma referência às críticas de Crivella ao longo de todo mandato, inclusive na campanha eleitoral, na qual atribuiu as falhas de sua gestão a dívidas geradas pelas obras da Olimpíada de 2016.

Eleito com 64,07% dos votos válidos, o prefeito voltou a dizer que tem “a perfeita noção” de que muitos eleitores que optaram por sua candidatura discordam de suas propostas, mas o escolheram para evitar a reeleição de Crivella.

“Isso mostra que é possível estabelecer consenso mínimos quando o interesse da sociedade é colocado em risco. A força do contraditório tem que ser interpretada como algo positivo, e que somará em nossos acertos e evitará erros”, disse o prefeito.

Paes governou a cidade entre 2009 e 2016 e assume seu terceiro mandato, igualando a marca do ex-prefeito César Maia (DEM), atualmente vereador, com quem iniciou a carreira política.

Ele afirmou que pretende realizar um “governo disruptivo e transformador”, e apresentou sua nova gestão como antirracista. “Essa chaga brasileira tem que ser superada de uma vez por todas, e queremos ser exemplos disso. Montamos um time de secretários jovens e com caras novas”, disse o prefeito.

Alvo de três ações penais, duas delas sob acusação de corrupção, Paes afirmou que o combate à prática de desvios de recursos públicos é uma de suas prioridades. Um dos decretos que publicou nesta quinta tem como foco a identificação de irregularidades cometidas por agentes públicos.

Ex-aliado de Sérgio Cabral, o prefeito é visto como uma espécie de sobrevivente político do antigo MDB-RJ, cujas principais lideranças foram presas. Ele assume o cargo numa situação jurídica mais complicada do que tinha antes.

Em 2020, Paes se tornou réu em três ações penais. Duas delas correm na Justiça Eleitoral sob acusação de caixa dois nas eleições de 2008 e 2012 recebidos da Odebrecht. Num desses processos, ele também foi denunciado por corrupção, por supostamente ter favorecido a empreiteira ao longo de seu segundo mandato.

Ele também responde a acusação por corrupção na Justiça Federal em ação penal sobre o suposto benefício à Queiroz Galvão na obra do Complexo Esportivo de Deodoro para a Olimpíada.

Ele nega todas as acusações.

O dia da posse não terá cerimônia de transmissão do cargo, como ocorreu em 2017, de Paes para Crivella. O ex-prefeito foi preso e afastado do cargo a nove dias do fim do mandato. A detenção foi revertida pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça), mas ele foi mantido fora do Palácio da Cidade.

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