Eleitorado jovem diminui nas principais cidades paranaenses

Andreza Rossini


Por Priscilla Fontes – estagiária sob supervisão de Roger Pereira

Protagonistas das manifestações que mudaram o perfil político do Brasil desde 2013, os jovens paranaenses parecem não acreditar que conseguirão as transformações que reivindicam através do voto. As três principais cidades do Paraná registraram queda no eleitorado jovem desde as últimas eleições, em 2014, conforme apontam as Estatísticas Eleitorais de 2016, divulgadas pelo Tribunal Superior Eleitoral. A porcentagem de votantes da faixa etária entre os 16 e os 29 anos caiu 1,5 ponto percentual na capital paranaense – número que parece baixo, mas representa cerca de 6 mil jovens a menos nas urnas neste ano, mesmo com o eleitorado da capital crescendo em quase 50 mil eleitores. Em 2014, eram 310,9 mil eleitores jovens em um universo de 1,241 milhão de pessoas aptas a votar em Curitiba (25,05% do eleitorado). Neste ano, são 305 mil jovens entre 1,289 eleitores (23,66%)

Em Londrina, as estatísticas apontam para uma queda de pessoas com idade entre 16 e 19 anos. Em 2014, 14.211 votaram e, em 2016, esse número caiu para 13.064. Ou seja, um decréscimo de 1.147 londrinenses. Maringá também registrou redução para a mesma faixa neste ano: em 2014 teve 10.647 eleitores e, agora, possui 8.655; 1.992 votantes a menos, entre os eleitores abaixo dos 20 anos.

Em nenhum dos municípios citados o índice de eleitores de 16 e 17 anos chega a 1%. Para buscar saber o motivo desse aparente desinteresse dos jovens pelas eleições, a reportagem foi até uma escola particular de Curitiba para saber a opinião de estudantes de 16 a 19 anos. Das 20 pessoas entrevistadas, sete não têm título de eleitor – todos menores de idade e que não possuem a obrigatoriedade de votar. Dos 13 que possuem título, 9 disseram que só vão votar porque é obrigatório. “Eu não votei antes porque eu acho que não muda nada. A situação do país continua a mesma, não importa o governante eleito”, disse Luiza Opalinski, que tem 18 anos. Para ela, o Brasil precisa de um processo democrático mais radical do que uma eleição, como uma reforma política.

A falta de representatividade e a descrença em melhorias no governo foram traços comuns entre os entrevistados. “A situação está tão desanimadora que os jovens pensam: pra que eu vou votar se não vai melhorar?”, declarou Ana Carolina Growoskj, 16 anos, que ainda não tem título de eleitor. Desinteresse e alienação também foram apontados como razões para esse declínio do jovem na participação eleitoral – Eduardo Spezzato, 17, classificou a atual geração como a “geração do desinteresse”. Para ele, há tanto acesso à informação que as pessoas preferem se informar sobre outros assuntos e deixam de lado a política. “Tudo o que a geração passada conquistou agora nós só empurramos com a barriga”, disse.

A falta de discussão sobre o tema nas salas de aula também foi abordada como possível motivo para o desinteresse em votar. João Pedro Fontanelli, 18, é um dos eleitores que fez o título por ser obrigatório e diz não estar acompanhando as informações sobre os candidatos às eleições deste ano. “A situação dos meus amigos é a mesma. Ano passado, a maioria dos meus colegas de classe tinha 16 e 17 anos e, entre 40 pessoas, só duas votaram. Isso me faz pensar que talvez falte discutir mais sobre política nas escolas”. João Vitor Lena, 19, compartilha da mesma opinião: “não existe um ensino político eficaz nas escolas, falta um incentivo, uma base para sabermos como devemos fazer nossas escolhas”, contou.

No Paraná, o índice desse eleitorado em potencial também diminuiu. Em 2012, o Estado tinha 144.203 eleitores com 16 e 17 anos. Já em 2016, são 109.200 eleitores inscritos nessa faixa etária, totalizando uma queda de 24,27%. Para o cientista político Emerson Cervi, o que os representantes eleitos fazem dentro do sistema é o que desestimula os jovens. “A falta de democracia interna, horizontalização dos partidos e distanciamento entre representante e representado é o que explicam a ausência de participação. Pode mudar o sistema, se for matinda a cultura dos líderes políticos, os resultados serão os mesmos”, acrescentou. Sobre o envelhecimento do eleitorado nessas cidades, Emerson acredita que quanto mais velhas são as pessoas, mais elas tendem a ser conservadoras. “Decisões mais conservadoras significam menor possibilidade de mudanças rápidas e menor renovação na política”, finaliza.

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