Em carta a Biden, 23 governadores propõe parceria para reduzir impactos climáticos

Vinicius Cordeiro

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Governadores de 23 estados brasileiros, que representam 90% do território nacional, assinaram uma carta enviada ao presidente Joe Biden, dos Estados Unidos, com objetivo de reforçar o interesse do Brasil em defender os ecossistemas. O texto conta com a participação de aliados do presidente Jair Bolsonaro, como Ronaldo Caiado, governador de Goiás, e Ratinho Junior (Paraná). Adversários políticos do atual chefe do Executivo, como João Doria (São Paulo) e Eduardo Leite (Rio Grande do Sul), também integraram o grupo.

“A coalizão Governadores pelo Clima está estruturando políticas climáticas, sociais e econômicas interligadas como base no desenvolvimento sustentável. Expressamos nossa intenção de implementar ações conjuntas, propondo a cooperação dos Estados Unidos e os estados brasileiros, responsáveis pela maior parte da Floresta Amazônica e de outros biomas, capazes de regular ciclos hídricos e de carbono em escala planetária”, diz trecho da texto.

O documento é enviado ao presidente Biden nas vésperas da Cúpula dos Líderes pelo Clima, que acontece em 22 e 23 de abril e reúne chefes de Estado de 40 países diferentes para debater o clima no mundo. Ou seja, o objetivo é reforçar o interesse do Brasil em construir soluções colaborativas para defender a humanidade e todas as espécies ameaçadas.

Nesse contexto, os governadores apontam compromisso em impulsionar o equilíbrio climático, a redução das desigualdades, a regeneração ambiental e o estímulo à adoção de tecnologias para reduzir as emissões de gases que interferem nas mudanças climáticas.

“Os governos estão cientes de sua responsabilidade com a redução dos gases do efeito estufa, a promoção de energia renovável, o combate ao desmatamento, o cumprimento do Código Florestal para a conservação das florestas e da vegetação nativa, a melhoria na da eficiência na agropecuária, a proteção e o bem-estar dos povos indígenas e comunidades tradicionais”, completa a carta.

BRASIL VIVE CRISE NO MEIO AMBIENTE

Vista da Floresta Amazônica à partir do município de Jordão, no Acre. (Foto: Odair Leal/Folhapress)

Nas vésperas da Cúpula dos Líderes pelo Clima, o Brasil vive um momento conturbado no que diz respeito do tratamento com o meio ambiente.

Além das queimadas recordes, a Polícia Federal (PF) encaminhou notícia-crime ao STF (Supremo Tribunal Federal) contra o ministro Ricardo Salles, que é acusado de dificultar a ação de fiscalização ambiental e atuar em prol de investigados em uma operação que mira a extração ilegal de madeira na Amazônia. Além de Salles, o senador Telmário Mota também é acusado.

O superintendente da PF no Amazonas, delegado Alexandre Saraiva, foi o responsável por redigir o texto e acabou sendo retirado do cargo Segundo a coluna Painel, da Folha de S. Paulo, Saraiva era visto pelos madeireiros como “alvo a ser abatido”.

O delegado concedeu entrevista à GloboNews e disse que o ministro Ricardo Salles “defende infratores ambientais”.

A situação não ajuda na imagem do presidente Jair Bolsonaro, que é acusado por autoridades internacionais em não se comprometer com as questões climáticas e na preservação da Amazônia.

GOVERNADORES QUE ASSINARAM CARTA A BIDEN

  • Gladson Cameli – Acre
  • Renan Filho – Alagoas
  • Walden Góes – Amapá
  • Wilson Lima – Amazonas
  • Rui Costa – Bahia
  • Camilo Santana – Ceará
  • Renato Casagrande – Espírito Santo
  • Ronaldo Caiado – Goiás
  • Flávio Dino – Maranhão
  • Mauro Mendes – Mato Grosso
  • Ratinho Junior – Paraná
  • Reinaldo Azambuja – Mato Grosso do Sul
  • Romeu Zema – Minas Gerais
  • Helder Barbalho – Pará
  • João Azevêdo – Paraíba
  • Paulo Câmara – Pernambuco
  • Wellington Dias – Piauí
  • Cláudio Castro – Rio de Janeiro
  • Fátima Bezerra – Rio Grande do Norte
  • Eduardo Leite – Rio Grande do Sul
  • Belivaldo Chagas – Sergipe
  • João Doria – São Paulo
  • Mauro Carlesse – Tocantins

Com isso, não assinaram a carta os governadores Ibaneiz Rocha (Distrito Federal), Coronel Marcos Rocha (Rondônia), Antonio Denarium (Roraima) e Carlos Moisés (Santa Catarina).

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