Em Curitiba, presidente da Câmara descarta anistia e responde Moro

Roger Pereira


Por Narley Resende

O presidente da Câmara Federal, Rodrigo Maia, do DEM do Rio de Janeiro, disse, nesta sexta-feira, em Curitiba, que a saída do ministro Geddel Vieira Lima é uma perda política para o governo. Maia reconhece um erro de Geddel, mas manteve as críticas ao ex-ministro da Cultura Marcelo Calero. Apesar de indícios de que Calero não gravou o presidente Michel Temer, segundo ele, o pressionando para que encontrasse uma solução para o prédio embargado em Salvador pelo Iphan em que Geddel tem um apartamento, Maia acredita que o presidente foi realmente gravado.

“Tenho convicção que ele enloqueceu. É uma questão gravíssima, gravar o presidente da República. Eele enloqueceu, errou, é claro que o ministro Geddel também errou e sua saída é importante para virar essa páginas, mas continuo achando que gravar o presidente da República é o melhor instrumento para enfrentar um processo em que você acha que há ilegaldiade por parte de outro ministro”, disse.

Envolvido em acusações de tráfico de influência para liberar a obra de um prédio onde comprou um apartamento, em Salvador, o ministro Geddel Vieira Lima pediu demissão do cargo nesta sexta-feira (25). A demissão chega um dia após ser tornado público o depoimento do ex-ministro da Cultura Marcelo Calero à Polícia Federal em que ele acusa o presidente Michel Temer e o ministro Eliseu Padilha, da Casa Civil, de também o terem pressionado para interceder em favor da obra ligada a Geddel. As conversas foram gravadas por Calero.

Sobre a votação do pacote anti-corrupção que foi adiado para a próxima terça-feira, Rodrigo Maia afirma que não existe anistia para Caixa Dois porque o crime ainda não existe. Ele ressalta que uma anistia só poderia existir se a prática já fosse crime. “Não há anistia. A tipificação do crime de caixa 2 não existe. Então, se está se tificando, é porque não existe crime para trás. Essa anistia não é concreta. Não haverá apoio a nenhuma anistia que não seja a tipificação do caixa 2. Não tem como anistiar. Se houver anistia é para outros crimes. E, daí, é muito grave e não vai se deixar passar uma proposta neste sentido”.

Nesta semana, o juiz Sérgio Moro divulgou uma nota se dizendo preocupado com os possíveis impactos da votação de terça-feira nos processos em andamento. Moro, responsável pelos processos da Operação Lava Jato, disse que “toda anistia é questionável, pois estimula o desprezo à lei e gera desconfiança”. Rodrigo Maia disse que a nota de Moro fala em fatos não comprovados. “Nã otenho que dar resposta ao juiz Sérgio Moro. Eu li a nota. Ele fala de fatos não comprovados ainda, informações não conretas. Vamos esparar as informações concretas e aí ele solta uma nota em cima de textos aprovados. Os procuradores daqui estão muito distantes. Um que foi lá esta semana e conversou comigo, disse o mesmo que eu disse, que a tipificação do caixa 2 significa que não havia crime”.

Rodrigo Maia esteve em Curitiba para participar de um encontro partidário promovido pelo PPS. Entre as discussões do evento está um debate sobre a PEC 241, aprovada na Câmara, e que será votada com o nome de PEC 55 no Senado, em primeiro turno, na próxima terça-feira. A proposta congela gastos primários da União por 20 anos. Na última quarta-feira, após acordo de lideranças de partidos na Câmara, Rodrigo Maia adiou a votação do pacote anticorrupção também para terça-feira.

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Repórter do Paraná Portal
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