Em depoimento a Moro, Eduardo Cunha nega acusações e diz que delatores mentem

Francielly Azevedo e Roger Pereira

O ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, afirmou, nesta quarta-feira (31), em depoimento ao juiz federal Sérgio Moro, ser falsa a acusação de que ele, e outros agentes políticos do PMDB receberam recursos provenientes de corrupção nos contratos da Petrobras com as empresas Shain, Toyo e Mitsui relativos aos navios sonda Vitória 10.000 e Petrobras 10.000. Moro disse que os delatores Fernando Soares (Fernando Baiano – operador do PMDB) e Júlio Camargo (lobista) mentiram em seus depoimentos de delação premiada. Na mesma ação Cunha é acusado de editar requerimentos na Câmara dos Deputados para prejudicar a Mitsui por, supostamente, não estar em dia com as propinas devidas. Acusação também negada pelo ex-deputado.

“Nunca tratei de negócios com Fernando Baiano ou Júlio Camargo. Eu recebi Fernando Baiano algumas vezes em meu escritório para falar de conjuntura, porque recebia todos que me procuravam e, sabendo da atuação dele junto a empresários, pedi ajuda com doações eleitorais. Ele me levou, então a Júlio Camargo, em 2010, com quem conversei sobre doações. Naquele ano, ele não fez contribuições para minha campanha. Fez, em 2012, via PMDB, três doações, declaradas, que chegaram a R$ 450 mil”, disse.

Cunha afirmou que não esteve em reuniões com Julio Camargo, em 2014, relatado no depoimento do delator, bem como não recebeu nem pediu nenhum tipo de propina ao lobista. Cunha disse que os delatores mentem e apontou uma série de inconsistência de valores, datas, e nomes nos depoimentos de Fernando Baiano, Julio Camargo e do doleiro Alberto Yousseff.

“Julio Camargo falou que eu era a terceira pessoa mais importante do país, mas em 2014, quando ele fez a delação, eu nem era presidente da Câmara. Houve notícias de que ele mudou a delação. Ele contratou o mesmo advogado do Yousseff e passou a ter uma versão afinada com o Yousseff. Ele mente e mente muito, ele se contradiz com ele mesmo”, afirmou, passando a elencar diversas inconsistências no depoimento de Julio Camargo. “Já Fernando Baiano buscou informações dentro da prisão para tentar me incriminar. Alguns nomes que ele falou aqui ele sequer tinha conhecimento, foi perguntar para outros presos lá no CMP (Complexo Médico Penal). É uma delação que precisa ser esmiuçada. Tem tanto conflito no depoimento entre eles, que eu não consigo entender como uma história dessas tem verosimilidade”, concluiu.


A ex-deputada Solange Pereira (PMDB-RJ), também acusada no processo, preferiu ficar em silêncio. Segundo ela, os outros dois depoimentos  que já prestou como testemunha são suficientes para ação.

REQUERIMENTOS

Eduardo Cunha também negou ter participação na elaboração de requerimentos aprovados pela Câmara que, segundo a denúncia, teriam o objetivo de prejudicar as empresas que estariam atrasadas no pagamento de propinas. Apresentados pela então deputada Solange Pereira (PMDB-RJ) os documentos foram redigidos por um usuário com o login de Cunha no sistema da Câmara. “Primeiro que os requerimentos eram simplórios: um pedia cópias de contratos e o outro era um ofício ao Tribunal de Contas questionando se existia alguma auditoria. Mas eu não sou o autor, meu login era utilizado por diversos assessores, meus, da bancada e das comissões. Alguns deles redigiam documentos para mim e para vários outros deputados”, alegou.

BATE-BOCA

Durante a audiência, Sérgio Moro fez uma série de questionamentos de Cunha a respeito de trocas de mensagens telefônicas obtidas pelo Ministério Público após apreensão do aparelho e quebra do sigilo telefônico do ex-deputado. A defesa de Cunha, no entanto, contesta a perícia feita no aparelho e nas mensagens e orientou o réu a não responder a questionamentos sobre tais mensagens, interrompendo Moro a cada pergunta sobre o tema. A conduta dos advogados irritou o magistrado, que advertiu diversas vezes os advogados de Cunha e, em determinado momento, desistiu de fazer perguntas porque a defesa “não o deixava trabalhar, interrompendo a todo instante”.

Confira no vídeo os momentos mais acalorados da audiência.

 

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Jornalista, formada pela Universidade Tuiuti do Paraná. Repórter do Paraná Portal e Rádio CBN. Tem passagens pela TV éParaná, TV Assembleia, TV Transamérica, CATVE, Rádio Iguassu e Folha de Londrina.
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