Em entrevista a jornais argentinos, Temer diz não se preocupar com baixa popularidade

Mariana Ohde


Um dia após as eleições municipais no Brasil, Michel Temer desembarca nesta segunda-feira (3) na Argentina para a primeira visita ao país desde que assumiu a presidência, no ultimo dia 31 de agosto.

Às vésperas de sua chegada ao país, Temer deu uma entrevista aos principais jornais argentinos. Ele disse que não tem uma “preocupação eleitoral”, nem com seu índice de popularidade de apenas 13%. “Se eu chegar ao final do meu governo com 5% de popularidade, mas tendo conseguido colocar o país nos trilhos, me dou por satisfeito”, disse.

Também deixou claro que o mais importante agora é obter o apoio do Congresso para aprovar as medidas econômicas necessárias. Segundo Temer, Macri e ele concordam em muitas questões.

Macri, como Temer, também diz que quer colocar a Argentina nos trilhos, reduzindo a inflação anual de dois dígitos e combatendo a fome. As estatísticas divulgadas recentemente mostram que 32% dos argentinos vivem abaixo da linha da pobreza e 6% são indigentes.

Na Argentina, Temer estará acompanhado por quatro ministros: das Relações Exteriores; do Desenvolvimento, da Indústria e do Comercio Exterior; da Justiça e da Defesa.

Depois de um almoço com o presidente Mauricio Macri, Temer irá ao Paraguai, onde jantará com o presidente Horácio Cartes.

Além de serem sócios do Brasil no Mercosul, a Argentina e o Paraguai foram os primeiros países a reconhecer o seu governo. Com Macri e Cartes, Temer deve falar da retomada do crescimento econômico na região e do combate ao narcotráfico e ao contrabando na Tríplice Fronteira.

Outro tema deve ser a Venezuela: os governos brasileiro, argentino e paraguaio se juntaram para impedir que os venezuelanos assumissem a presidência pro-tempore do Mercosul, que é rotativa e segue a ordem alfabética. Eles alegam que o país – o último a aderir ao bloco regional – não cumpriu os requisitos para tornar-se membro pleno, entre eles a incorporação de um protocolo de defesa dos direitos humanos.

O Uruguai, quarto país fundador do Mercosul, manteve posição neutra, até porque o partido de esquerda do presidente Tabaré Vasquez está dividido: metade considera que o impeachment de Dilma Rousseff foi um golpe e critica o que considera ser um “avanço” da direita na América do Sul. Mas o governo uruguaio acabou assinando um documento que estende até o dia 1º de dezembro o prazo para que a Venezuela regularize sua situação, se não quiser ser suspensa do Mercosul.

Protestos

Brasileiros e simpatizantes da ex-presidente Cristina Kircher (antecessora de Macri) planejam protestos contra a chegada de Temer. Em princípio, iriam se reunir na Praça de Maio – em frente à Casa Rosada (o palácio presidencial). Mas, ao saber que o encontro será na residência do presidente em Olivos (a 17 quilômetros do centro), um grupo prometeu deslocar-se até lá para se manifestar.

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Repórter no Paraná Portal
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