Em meio a debate sobre Censo, IBGE exonera diretor responsável por pesquisas

Nicola Pamplona - Folhapress


Em meio ao debate sobre cortes no Censo Demográfico de 2020, a presidente do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), Susana Cordeiro Guerra, exonerou nesta segunda (6) o diretor de Pesquisas do instituto, Claudio Crespo. Também foi exonerado o diretor de Informática, José Santana Beviláqua.

Para seus lugares, Guerra convidou, respectivamente, o geógrafo Eduardo Rios-Neto e o economista David Wu Tai. O primeiro é professor na UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) e o segundo, funcionário de carreira do IBGE há 40 anos.

São as primeiras mudanças promovidas na diretoria do instituto desde a posse de Guerra, no fim de fevereiro. A presidente do IBGE foi indicada pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, e recebeu como missão cortar o orçamento do Censo, cuja previsão inicial era R$ 3,4 bilhões.

No mês passado, Guerra determinou um corte de 25% na projeção. Ela desagradou o corpo técnico da instituição ao dar ao economista Ricardo Paes de Barros, do Insper, a missão de propor alternativas para reduzir os custos da pesquisa.

Com visitas aos cerca de 70 milhões de domicílios brasileiros, o Censo é realizado a cada dez anos e tem o objetivo de compor um retrato da população brasileira. É a maior operação do instituto: nesta segunda, o governo federal autorizou o IBGE a contratar 234 mil temporários para coletar e organizar os dados.

A pesquisa está sob o comando da diretoria de Pesquisa. Segundo servidores do IBGE, Crespo vinha se posicionando de forma contrária a cortes no orçamento.

“Essa decisão reforça a postura do governo [Jair] Bolsonaro de intervir no IBGE, o que ficou evidente nas declarações do próprio presidente questionando os dados da Pnad Continua [a pesquisa que mede o desemprego]”, disse, em nota, a Assibge (entidade que representa os funcionários do instituto).

No início do mês, o presidente da República questionou dados que mostravam o aumento do desemprego em fevereiro, dizendo que a metodologia do IBGE “não mede a realidade”, pois considera desempregado apenas a pessoa que está procurando emprego.

O IBGE defendeu que a metodologia segue recomendações da OIT (Organização Internacional do Trabalho). De acordo com os resultados da última Pnad Contínua, divulgada na semana passada, o Brasil tinha em março 13,4 milhões de desempregados.

“A presidente [do IBGE] manifesta seu agradecimento e reconhecimento pelo empenho, qualidade técnica e compromisso institucional demonstrado pelos diretores Claudio Crespo e José Santana Beviláqua no período em que trabalharam juntos”, disse, em nota, o instituto.

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