Em proposta de delação, réu da Quadro Negro liga Beto Richa a desvios

Redação

Proposta de delação premiada do ex-diretor da Secretaria Estadual de Educação Maurício Fanini entregue à Procuradoria-Geral da República em agosto de 2017 relaciona diretamente o ex-governador Beto Richa (PSDB) aos crimes investigados na Operação Quadro Negro, que apura o desvio de recursos e a cobrança de propina em obras para a construção e reforma de escolas públicas no Paraná. Parte do conteúdo da delação foi divulgado nesta terça-feira pelo Paraná TV, telejornal da RPCTV e pelo G1. Ao Paraná Portal, o advogado de Fanini confirmou a veracidade das informações e disse que pedirá a apuração de seu vazamento.

Réu na Quadro Negro, Fanini afirmou que atuou como arrecadador de recursos para as campanhas políticas de Beto Richa, e que, além de ter total conhecimento dos desvios na Secretaria de Educação, o ex-governador determinou que o ex-diretor se reportasse diretamente a ele para tratar do assunto. Fanini diz que atuou como intermediador do pagamento de propinas a Richa entre 2002 e 2015.

Segundo o ex-diretor, o dinheiro abasteceu as campanhas de Richa para a Prefeitura de Curitiba e para o Governo do Paraná, além de bancar gastos pessoais como viagens e a compra de um apartamento para o filho mais velho de Beto Richa, Marcello Richa. Em nota, o ex-governador Beto Richa negou as acusações e criticou o vazamento da proposta de delação, que ainda não foi aceita pelo Ministério Público Federal.

Fanini, que está preso na carceragem da Polícia Federal em Brasília, diz, na proposta de delação que Beto Richa passou a cobrar propina em 2001, quando era vice-prefeito da capital paranaense. À época, Fanini era diretor de Pavimentação de Curitiba, indicado por Richa, de quem diz ter se tornado amigo muito próximo desde a faculdade de engenharia, em 1983.


Segundo o G1, Maurício Fanini afirmou que Beto Richa passou efetivamente a abastecer campanhas eleitorais com dinheiro de caixa 2, em 2002, quando concorreu pela primeira vez ao governo estadual e perdeu para Roberto Requião (PMDB). O dinheiro partia de empresários, por meio de aditivos e percentuais de contratos com a Prefeitura de Curitiba. Conforme o relato, o recebimento era sempre negociado por Ezequias Moreira e Luiz Abi, primo de Beto Richa. Ele teria atuado nesta função até 2011, quando Richa tomou posse como governador.

No governo, Fanini foi nomeado na Secretaria de Educação e teria usado o cargo para arrecadar dinheiro para as campanhas de Luciano Ducci (à prefeitura de Curitiba, em 2012) e de Richa à reeleição, em 2014. Segundo o réu, ele prestava contas mensalmente a Richa.

 

Leia a íntegra da nota de Beto Richa

 

A proposta de acordo de colaboração premiada de Maurício Fanini ainda se encontra sob sigilo e mais uma vez foi vazada criminosamente.

Esta forma ilícita de agir parece ser uma manobra arquitetada às vésperas do período eleitoral, na tentativa de nivelar todos os políticos por baixo.

Não faço parte desta cena deplorável, onde criminosos confessos buscam envolver pessoas inocentes em crimes que somente eles praticaram.

O que esses criminosos pretendem? Ora, a resposta é muito simples! Pretendem conseguir a redução das penas a que certamente serão condenados pelos crimes cometidos e já confessados à Justiça, mesmo que para isso tenham que envolver pessoas honestas.

No caso de Maurício Fanini, a condenação pelos crimes praticados e por ele próprio confessados chegará a 50 (CINQUENTA) anos de prisão !

Portanto, está mais do que explicado porque Fanini tenta delatar tudo e todos, sem, no entanto, apresentar quaisquer indícios de provas.

Qual a razão de dar credibilidade a um criminoso que realizou 870 depósitos em dinheiro vivo, em sua própria conta corrente, pagou cartões de crédito em dinheiro vivo e formou um patrimônio incompatível com sua renda?

É uma tentativa desesperada de delação, que pela ausência de provas, não será aceita pela Justiça. São acusações criminosas, com o objetivo de envolver pessoas inocentes, retirando o foco das fraudes por ele cometidas.

E para isso, mente descaradamente. Nem eu, nem qualquer membro da minha família, recebeu dinheiro desviado dos cofres públicos.

A compra do apartamento do meu filho Marcello foi realizada de forma regular, com recursos próprios e transferência bancária, sem a utilização de dinheiro vivo, o que foi esclarecido também pelo vendedor do apartamento, que foi ouvido duas vezes pelo Ministério Público Estadual.

Igualmente é criminosa a afirmação de que minha mulher teria solicitado 1.000 dólares para uma viagem de meu filho André ao Peru. Quem nos conhece sabe que não precisamos disso e a afirmação beira o absurdo.

Repito: é uma delação criminosa, sem provas, que busca apenas confundir as pessoas. Espero que a Justiça apure e esclareça rapidamente essa questão, para que os culpados sejam punidos de forma exemplar.”

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