Em vigília por Lula, pais de Marielle Franco pedem para que lutas da vereadora não sejam esquecidas

Roger Pereira e Mariana Ohde


Os pais da vereadora do Rio de Janeiro Marielle Franco, assassinada em 14 de março, visitaram, nesta terça-feira, a vigília formada por militantes que apoiam o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na frente da sede da Polícia Federal do Paraná, onde Lula está preso desde abril. Marinete da Silva e Antonio Francisco da Silva Neto agradeceram o apoio dos movimentos sociais, como o MST, que organizam a vigília e também fizeram diversos atos em memória de Marielle.

“Essas manifestações nos fortalecem, porque a nossa perda foi imensurável. O que essas pessoas fizeram conosco, agora estão fazendo com nosso ex-presidente. Eles assassinaram Marielle tirando ela de nós, tirando ela da luta. Eles fizeram com Marielle para que ela não se tornasse uma nova Lula”, disse Francisco.

“É um momento único. São quase 160 dias de luta de dor, de resistência, por uma mulher que virou símbolo, que vinha fazendo um trabalho com um resultado enorme, que resistiu com várias bandeiras, que todos conhecem o que ela defendia, o que ela acreditava. Não tem como mensurar o que uma mãe passa quando perde um filho da forma covarde como perdemos ela. Mas, no Rio de Janeiro, isso virou uma rotina”, comentou Marinete.

Marinete pediu para que as bandeiras defendidas por Marielle não sejam esquecidas e que a luta contra a desigualdade e pelos direitos humanos siga sendo prioridade para os movimentos sociais. “Era uma mulher que estava lutando contra tudo e contra todos por um bem maior, num país que, hoje a gente até questiona que democracia é essa. O que temos que fazer é resistir e transformar esse luto numa luta. Mas seguimos sem respostas, sem saber o que motiva alguém a fazer a crueldade que fizeram com Marielle”.

Ainda nesta quarta-feira, o casal participaria da inauguração do Centro de Formação e Cultura Marielle Vive, às 17h. O Centro compreende estruturas que compõem a vigília e fica a cerca de 100 metros da PF.

Um muro interno de aproximadamente 30 metros servirá como uma exposição a céu aberto. Ainda em fase de conclusão, a obra traz retratos realistas de teóricos e lideranças mundiais da esquerda, como Karl Marx, Rosa Luxemburgo, Fidel Castro, Hugo Chávez e a própria Marielle Franco. O trabalho é feito por um jovem artista do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

O espaço abriga ainda um salão para exibição de filmes, com capacidade para 150 pessoas, além de um jardim, viveiro de mudas e minhocário e a cozinha comunitária da vigília. A preparação e reforma do espaço durou cerca de 70 dias, resultado de trabalho voluntário e de doações.

O Centro de Formação é resultado da articulação entre o conjunto de entidade sindicais e movimentos que mantêm a Vigília Lula Livre há cinco meses, entre elas o próprio Partido dos Trabalhadores, o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC Paulista, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, a Central Única dos Trabalhadores (CUT-PR), a Via Campesina, a Federação Única dos Petroleiros (FUP), os Sindicatos dos Petroleiros e dos Petroquímicos (Sindipetro e Sindiquímica), movimentos populares, mídias alternativas, entre outros.

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Repórter do Paraná Portal
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