Engenheiro da Odebrecht diz que foi responsável por obra em “sítio de Lula”

Roger Pereira

Em depoimento à juíza federal substituta Gabriela Hardt, o engenheiro civil Emyr Diniz Costa Junior, ex-funcionário da Odebrecht, contou que foi o engenheiro responsável pelas obras realizadas pela empreiteira no final de 2010 e início de 2011, no sítio frequentado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em Atibaia, interior de São Paulo. Réu no processo e delator na Operação Lava Jato, Costa Junior disse que foi informado desde o início que as obras eram “um favor” da construtora ao ex-presidente. Foi a primeira audiência conduzida pela juíza após o afastamento de Sérgio Moro do caso por conta de sua indicação para ministro da Justiça.

“Fui chamado pelo diretor-superintendente Carlos Armando Paschoal, que disse que precisava que eu destacasse um engenheiro de confiança para uma reforma no sítio, que seria utilizado pelo presidente Lula. No primeiro contato já ficou claro que era obra sigilosa, foi nos pedido para não identificar como da Odebrecht e não usar a contabilidade da empresa”, relatou, informando que recebia em espécie os recursos (R$ 700 mil) utilizados na obra.

Segundo o engenheiro, a Odebrecht foi responsável pela construção de “uma kit-net para a hospedagem da segurança do presidente; quatro suítes, que já estavam com estrutura pronta; dois depósitos – um era a adega e outro o quarto de empregada, a reforma da piscina, alambrado e gramado de um campo de futebol; e uma sauna”.

Delação coletiva

No depoimento, Edyr disse discordar da pena e da multa que lhe foi imposta no acordo de delação premiada que firmou juntamente com outros mais de 70 executivos e funcionários da empreiteira, mas ponderou ter sido a melhor opção para não responder sozinho ao processo. “Eu agi como engenheiro civil, fiz uma obra como engenheiro civil e foi me imputada uma pena e uma multa, ao meu ver, descabido, mas pesei o risco e aceitei o acordo. Era uma ordem da empresa, eu era uma pessoa de confiança, cumpri a ordem. Entendi que a empresa precisava fazer esse favor, me pediu para fazer desta forma e eu cumpri”, resumiu.


Questionado pela defesa de Lula sobre o que lhe motivou a aderir ao acordo, ele explicou. “Começaram a investigar a empresa e descobrir coisas. O negócio do sítio já estava na mídia, eu sabia as consequências que isso poderia causar a mim, a empresa facultou essa colaboração aos executivos, informando que daria apoio, e eu aderi. Não tive nenhuma pressão da empresa para aderir. Pesei o que seria responder sozinho e o que me tocaria se fizesse acordo”, disse, admitindo ainda que, embora sem mais nenhum vínculo com a empreiteira, segue recebendo valores da Odebrecht por conta de acordo de indenização firmado com a empresa.

O engenheiro também admitiu à defesa de Lula que os documentos que apresentou como provas do recebimento dos valores que teriam sido utilizados na obra foram revelados a ele pela própria construtora, que o teria auxiliado na delação. “A empresa que descobriu a contabilização dos valores que foram para o sítio. Eu não fiz contabilidade, não domino esse assunto. O valor e o período corresponde ao que eu recebi. Eu não sabia da existência do sistema e não sabia de onde sairia o dinheiro que eu pedia, só sabia que não era contabilizado”.

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Roger Pereira
Repórter do Paraná Portal
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