‘Escorreram lágrimas pelos olhos’, diz Requião sobre Rocha Loures

Fernando Garcel


Fernando Garcel e Narley Resende

O senador Roberto Requião afirmou que ‘lágrimas escorreram dos seus olhos’ quando assistiu o seu ex-chefe de gabinete, Rodrigo Rocha Loures, filmado com a mala de R$ 500 mil na ação controlada da Polícia Federal (PF) organizada após o início da delação da JBS. Ele também fez duras críticas ao presidente Michel Temer (PMDB) e a situação da política nacional. Os comentários aconteceram durante o encontro estadual do partido na manhã desta sexta-feira (2), em Curitiba.

Durante o discurso, Requião citou a relação próxima que tinha com Rocha Loures enquanto ele era seu chefe de gabinete. “Eu tenho uma dificuldade enorme de entender essa coisa do Rodrigo. Ele sempre foi um sujeito correto e sério. Como ele se envolveu nisso?”, questiona o senador.

“Rodrigo Rocha Loures foi meu chefe de gabinete. Absolutamente correto no Paraná. Foi trabalhar em Brasília entusiasmado. ‘Diga-me com quem andas e direi quem acabaras sendo’. Se ele se envolveu nisso foi pelas companhias”, disse Requião.

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“Eu confesso a vocês que quando vi Rodrigo saindo com a mala, me escorreu lágrimas dos olhos”, afirmou Requião.

Michel Temer

O senador paranaense fez duras críticas ao presidente da República, Michel Temer (PMDB), no encontro com correligionários. Segundo Requião, Temer não entende de economia e que ele é apenas um instrumento de interesses externos.

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“O Temer eu conheço há muito tempo. Ele não entende nada de economia. Ele nunca discutiu economia brasileira e do mundo no partido, mas ele queria ser presidente da República e ele é um instrumento e uma ferramenta de interesses que não são nossos”, alega o senador que aponta que Temer está submetendo o Brasil ao capital estrangeiro.

Teoria da conspiração

Segundo o senador, a delação dos irmãos Batista, proprietários da JBS, foi arquitetada pelo departamento de Estado norte-americano. Ele reforça que não está defendendo os envolvidos, mas denuncia que isso foi usado como cobertura de interesses externos. “Tudo isso é usado como cobertura, biombo, para que se vá aprovando redução do salário mínimo, de garantias trabalhistas, da aposentadoria e do fim de um projeto nacional”, disse.

“Eu não disse que ela [a denúncia]  é falsa, mas é evidente que ela não foi feita pelo Ministério Público Federal (MPF). Veja, um procurador, um dos principais assessores do [Rodrigo] Janot, sai na véspera do Ministério, renuncia ao cargo, à profissão e à carreira para virar advogado do Joesley Batista da JBS?”, questiona o senador. Requião fez referência ao advogado dos irmãos Batista, proprietários da JBS, Marcelo Miller, ex-procurador e braço direito do procurador-geral Rodrigo Janot na Lava Jato.

O senador afirmou que convocou uma reunião com Janot e pretende encontrar com o ex-procurador.

Novo pedido de prisão de Rocha Loures

Rodrigo Rocha Loures foi filmado pela Polícia Federal recebendo uma mala com R$ 500 mil na Operação Patmos, investigação baseada na delação premiada da JBS. o ex-deputado não foi preso em flagrante porque a PF e o Ministério Público Federal optaram por realizar uma ação controlada, em que abrem mão do flagrante para tentar descobrir outros participantes da conduta criminosa. A partir do monitoramento de Rocha Loures, o STF abriu inquérito para investigar o presidente Michel Temer.

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No recurso apresentado na noite desta quinta-feira, Janot afirma que a prisão de Loures é “imprescindível para a garantia da ordem pública e da instrução criminal”. O procurador justifica que há no inquérito aberto pelo Supremo escutas telefônicas e outras provas que demonstram que Loures atuou para obstruir as investigações da Operação Lava Jato.

A decisão sobre o pedido de prisão será avaliada pelo ministro Edson Fachin, relator da delação da JBS no Supremo.

A Procuradoria-Geral da República havia feito, no dia 18 de maio,  um pedido de prisão preventiva de Rocha Loures quando ele era deputado federal. No mesmo dia, Fachin negou o pedido, mas afastou o parlamentar do cargo, mantendo suas prerrogativas, como o foro privilegiado.

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