Ex-assessor da Casa Civil diz que dinheiro que recebeu de empresas do pedágio era para campanhas políticas

Roger Pereira

Econorte - rodovias federais - MPF - Lava Jato - Operação Integração

Em depoimento prestado ao Ministério Público Federal no dia em que a 48ª Fase da Operação Lava Jato cumpriu mandado de busca e apreensão em seu gabinete e em sua residência, o ex-assessor da Casa Civil do governo do Paraná, Carlos Felisberto Nasser, um dos 18 denunciados pelo MPF na última segunda-feira, por lavagem de dinheiro, disse que os recursos que recebeu das empresas Triunfo e Rio Tibagi (que administram concessionárias de rodovias que operam no Anel de Integração do Paraná) em uma conta de empresa em seu nome, entre 2007 e 2015, foram utilizados em campanhas eleitorais.

Nasser, que prestou depoimento em casa, não sendo preso temporariamente nem conduzido pela Polícia Federal por conta de seu estado de saúde e idade avançada (78 anos), disse que nunca teve relações com as empresas e os contratos das concessões rodoviárias, que sua função na Casa Civil era de assessoramento direto ao governador Beto Richa (PSDB) apenas para questões políticas, e que, se há, como o Ministério Público Federal lhe mostrou, provas de contatos dele com empresários ligados às concessionárias, o que ele diz não se lembrar, foi para tratativas de questões políticas, como doações de campanha.

Na denúncia, o MPF aponta que a Power Marketing Assessoria e Planejamento Ltda, que pertenceu a Nasser e, depois, a sua irmã, Ercília Nasser, recebeu R$ 2,96 milhões da Rio Tibagi e da Triunfo, sem prestar nenhum tipo de serviço às empresas. Tais recursos forma transferidos para a conta pessoal do ex-assessor e sacado em espécie. Em depoimento, Nasser admitiu que a empresa só existiu no papel, nunca prestou nenhum serviço ou assinou algum contrato, mas negou recebimento de recursos das empresas do pedágio. Confrontado, então com os documentos descobertos pelo MPF na quebra de sigilo bancário, ele mudou sua versão. “ Não …é possível que eu tenha recebido… me deram um pacote aqui eu dou um pacote pra frente… nunca fiquei eu (com o dinheiro)…”, disse. Quando perguntado para que sereia o dinheiro, respondeu de pronto: “Campanha… sempre o meu é político, totalmente político”.

Nasser não disse, e nem o Ministério Público Federal questionou, para quais campanhas foram destinados os recursos. Ao explicar o cargo que exercia na Casa Civil até o dia da Operação, 22 de fevereiro, o advogado informou que tinha um cargo de confiança, em comissão, de assessoramento direto ao governador Beto Richa, para o qual foi nomeado após trabalhar na campanha do tucano.

Nasser e outras 17 pessoas, entre elas o ex-diretor-geral do Departamento de Estradas de Rodagem no Paraná (DER-PR) Nelson Leal Junior, foram denunciados por lavagem de dinheiro, organização criminosa, estelionato, peculato, corrupção ativa e corrupção passiva pelo Ministério Público Federal na última segunda-feira, com base nas diligências da 48ª fase da Operação Lava Jato, batizada de Integração, que investiga irregularidades na execução de contratos de concessões das rodovias do Anel de Integração do Paraná, mais especificamente, da Econorte. Nesta fase da Operação o MPF estima em R$ 126 milhões os danos causados aos cofres públicos, sendo R$ R$ 31 milhões desviados do contrato com a Econorte.

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Repórter do Paraná Portal
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