Ex-gerente da Transpetro diz que começou a cobrar propina para se manter no cargo

Roger Pereira

O ex-gerente regional da Transpetro para o Norte e Nordeste José Antônio de Jesus afirmou, nesta segunda-feira, em depoimento ao juiz federal Sérgio Moro, que passou a cobrar propina nas obras da Transpetro nos estados de sua jurisdição para repassar a agentes políticos e, assim, se manter no cargo. Ele prestou depoimento como réu em processo relativo à 47ª fase da Operação Lava Jato

“Passamos por um período turbulento na Transpetro, eu estive para sair da gerência algumas vezes, porque muita gente queria me tirar do cargo. Então, foi sugerido que fizéssemos um acordo para receber valores para agentes políticos, o que nos poderia garantir estabilidade”, disse, informando que, assim, fez um acordo com a NM Engenharia, que detinha cerca de 40 contratos de manutenção na região, para o repasse de 1,25% do valor dos contratos em propina. “A única contrapartida que eles tinham era a garantia de que seus contratos seriam cumpridos no tempo e nos valores corretos”, acrescentou.

Jesus disse que chegou à gerência da Petrobras por indicação do ex-deputado federal Luiz Carlos Bassuma (que era filiado ao PT até 2009). “Quando ele trocou de partido (foi para o PV), fiquei sem suporte político para me manter no cargo. Foi então que comecei a arrecadar para agentes políticos que passaram a me dar sustentação”, disse.

Questionado pelo Ministério Público Federal sobre quem eram os agentes políticos que lhe davam suporte mediante propina, ele foi orientado por seus advogados a não responder por conta de tais políticos desfrutarem de foro privilegiado.


Também em depoimento nesta segunda-feira, o sócio e diretor financeiro da NM, Luiz Fernando Nave Maramaldo, réu e delator na Lava Jato, confirmou o pagamento de propina a Jesus. “Ele nos procurou e nos ameaçou. Disse que se não pagássemos, nossos contratos não andariam, seria colocado obstáculos”, disse. “Questionamos por já pagarmos propina ao Sérgio Machado. Ele disse que com o Machado era coisa do PMDB, com ele, do PT”.

Maramaldo contou, no entanto que, antes da cobrança por parte de Jesus, a NM Engenharia já pagava propina ao ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado. “Isso começou em 2008, com o Sérgio Machado. Ele nos procurou para uma concorrência grande, que nos mudaria de patamar. Quando fomos assinar o contrato, ele informou da necessidade de pagar 5,5% em propina e ainda aceitar um novo sócio, a empresa Polidutos, que não tinha participado de nenhuma etapa até então”, disse. “Aceitamos, e, depois a propina se tornou constante em todas as nossas obras e, ainda, retroativa aos contratos anteriores”, relatou.

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Roger Pereira
Repórter do Paraná Portal
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