Ex-ministro e ex-tesoureiro do PT direcionavam o pagamento de propina, diz delator da Odebrecht

BandNews FM Curitiba

 

A delação de ex-executivos da Odebrecht revela mais detalhes sobre o suposto esquema de corrupção investigado na contratação do consórcio de empreiteiras responsável pelas obras na Usina de Belo Monte, no Pará. Segundo o delator Antonio Daiha Blando, o ex-ministro Edison Lobão e o ex-tesoureiro, João Vaccari Neto, seriam os intermediários do PMDB e do PT, respectivamente, no direcionamento das propinas.

Segundo as investigações da 49ª fase da Lava Jato, os partidos teriam recebido juntos cerca de R$ 120 milhões como vantagens indevidas das empreiteiras.

Blando é ex-diretor-superintendente da área de energia da Odebrecht e participou das reuniões realizadas junto as empresas que integraram o consórcio Norte Energia, que saiu vitorioso no leilão para a execução das obras da usina. Segundo ele, já na primeira reunião do grupo, em 2011, um representante da Andrade Gutierrez, Flávio Barra, repassou a informação de que a empreiteira tinha o compromisso de pagar o equivalente a 0,5% de cada fatura do contrato para o PT e também 0,5% para o PMDB.


Os interlocutores nesse processo seriam Edison Lobão e Vaccari. O ex-executivo da Odebrecht disse ainda que informou ao alto escalão da empresa sobre o pagamento das vantagens indevidas. O presidente do grupo, Marcelo Odebrecht, teria autorizado o repasse de valores ao PMDB que teriam sido entregues em espécie no escritório de Lobão. Ao PT os pagamentos foram negados já que, segundo Odebrecht, a companhia já tinha contribuído com o partido para a campanha de 2010.

Ainda de acordo com o delator, parte das propinas era direcionada ao “professor”, codinome usado para se referir ao ex-ministro Antônio Delfim Netto. Para os procuradores da Força Tarefa da Lava Jato, o ex-ministro teria recebido R$ 15 milhões em vantagens indevidas oriundas dos contratos firmados pelas empreiteiras para a realização das obras da usina.

O ex-executivo da Odebrecht, Antonio Daiha Blando,  é um dos 78 delatores da empresa que tiveram o acordo de colaboração homologado pelo Supremo Tribunal Federal, em janeiro do ano passado.

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