Lava Jato: Executivos são acusados de subornarem diretores da Petrobras

Redação

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O suborno para diretores da Petrobras rendeu a três executivos da EIT (Empresa Industrial Técnica) denúncias da força-tarefa Lava Jato do MPF (Ministério Público Federal). O sigilo da denúncia foi levantado nesta segunda-feira (4).

Os acusados foram Marcus Pinto Rola (proprietário da EIT), além de Paulo César Almeida Cabral e Tanel Abbud Neto, executivos da empresa. Todos foram denunciados pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro.

As denúncias tiveram a colaboração de Pedro Barusco,  ex-gerente de Engenharia ligado à Diretoria de Serviços da Petrobras. Barusco confirmou o recebimento da propina junto a força-tarefa do MPF e como já atingiu o limite de pena de 15 anos previsto em seu acordo de colaboração.

O executivo da Petrobras Renato de Souza Duque também foi denunciado pela força tarefa Lava Jato pelos mesmos crimes.

Os executivos da EIT realizaram pagamentos de propinas para Duque e para Barusco. O objetivo dos criminosos era garantir a aprovação de aditivos em contratos de obras da Refinaria Abreu e Lima e do Gasoduto Cacimbas-Catu, localizados em Ipojuca (PE) e Catu (BA), respectivamente.

Somente em um dos contratos, o aditivo recebido pela EIT ficou na casa dos R$ 29 milhões. Os valores iniciais das obras eram de R$ 83.509.265,71 para o contrato do Gasoduto, e de R$ 591.324.228,09 para o contrato da Refinaria

Segundo a investigação, a propina para o Gasoduto foi de R$ 1 milhão, pago em cinco parcelas trimestrais entre 2008 e 2009, enquanto o suborno da Refinaria ficou na casa de R$ 1,378 milhão, distribuído em seis parcelas no ano de 2010.

Quem intermediou os contatos entre EIT e Petrobras foi o operador financeiro Shinko Nakandari, que utilizava uma empresa de fachada para realizar contratos fictícios com as empreiteiras. Nakandari faleceu neste ano e por isso não foi denunciado pela força-tarefa Lava Jato.

Nakandari emitia notas frias e recebia os valores de propina em contas bancárias de seus filhos ou indo pegar o dinheiro em espécie na sede da EIT, no Rio de Janeiro. Na cidade, o operador financeiro se encontrava com Barusco em hotéis e restaurantes para realizar a entrega da propina, que posteriormente era repassada para Duque.

VALORES RECUPERADOS

Todos os réus terão que pagar um dano mínimo a ser revertido à Petrobras no valor de R$ 8,6 milhões, número que equivale ao dobro de toda a propina feita aos executivos da estatal.

Por isso, as contas bancárias de Rola e Cabral tiveram R$ 3,2 milhões bloqueados, enquanto Neto registrou R$ 1,9 milhão congelados. A Lava Jato buscou dessa forma resguardar a reparação aos danos feitos aos cofres públicos.

De acordo com Antonio Diniz, o procurador da República e membro da força-tarefa Lava Jato, afirmou que as ações da operação continuam a procurar crimes contra os cofres públicos na estatal. “Cinco anos após o seu início, a Lava Jato continua avançando para responsabilizar novas empreiteiras que se envolveram com crimes contra a Petrobras”, avaliou.

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