Após explosão em prédio, prefeito de Curitiba proíbe químicos inflamáveis em ambientes fechados

Vinicius Cordeiro e Vanessa Fernandes - CBN Curitiba

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O prefeito de Curitiba, Rafael Greca (DEM) assinou um decreto, na tarde desta sexta-feira (5), que proíbe a aplicação de produtos químicos impermeabilizantes inflamáveis em ambientes internos. A regra começa a valer em Curitiba daqui 90 dias.

A medida é tomada seis dias após a explosão de um apartamento no bairro Água Verde, que resultou na morte de Mateus Henrique Lamb. A criança, de apenas 11 anos, foi arremessada do sexto andar e acabou falecendo no hospital.

Além dele, outras três pessoas ficaram feridas. Duas delas seguem na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Universitário Evangélico Mackenzie.

A principal suspeita da causa da tragédia é o serviço de impermeabilização.

DECRETO

O prefeito Rafael Greca lamentou que não agiu há tempo suficiente para evitar a morte da criança. Além disso, o gestor municipal dedicou o decreto em memória à criança, que classificou como vítima da “ganancia comercial”.

“Como eu tenho o poder de legislar sobre o uso do solo urbano, decidi proibir a aplicação de produtos inflamáveis e de impermeabilização à domicílio, seja nos condomínios ou imóveis comerciais. Se tivéssemos feito isso há um ou dois anos atrás, não teríamos perdido o curitibinha do Água Verde”, disse Rafael Greca.

Já Guilherme Rangel, secretario municipal da Defesa Social e Trânsito, afirmou que as 600 empresas habilitadas à fazer esse tipo de serviço serão visitadas para verificação do alvará.

Ele ressalta que o decreto ajuda na fiscalização preventiva. “Para a emissão do alvará, a empresa terá que passar por uma série de órgãos. Secretaria de Urbanismo, da Defesa Social, do Meio Ambiente, Corpo de Bombeiros, Polícia Civil… A punição para a empresa será a cassação do alvará e para o condomínio, uma multa”, completou.

VÍTIMAS

Irmã de Mateus, Raquel Lamb, de 23 anos, e o marido dela, Gabriel Araújo, de 30 anos, eram os moradores do apartamento explodido.

Raquel teve queimaduras em 80% da superfície do corpo. Nesta sexta-feira (5), o boletim médico apresentou que ela está em quadro estável, respirando sem ajuda de aparelho e que ainda tem 55% do corpo queimado.

Já Gabriel encontra-se no quarto estável, sem necessidade de internação na UTI. O corpo dele teve 30% da superfície corporal queimada.

Por fim, Caio Santos está com 65 % do corpo queimado e também está na UTI, respirando normalmente. Ele é o técnico responsável, de empresa especializada, pela impermeabilização de estofados do apartamento.

Todos eles passam, diariamente, por uma cirurgia de troca dos curativos.

INTERDITADO

O edifício permanece interditado pela Prefeitura de Curitiba até que um laudo ateste a estabilidade do local. O documento deve ser providenciado pelo próprio condomínio.

Por isso, os moradores estão alojados em casas de familiares. A Guarda Municipal faz a segurança do edifício, e os moradores podem entrar no local apenas se estiverem acompanhados de bombeiros.

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