Fabricação nacional de vacinas é o que nos interessa, diz Pazuello em visita ao Paraná

Vinicius Cordeiro

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O ministro Eduardo Pazuello visitou Cascavel, cidade da região oeste do Paraná que está em pré-colapso do sistema hospitalar, nesta quinta-feira (4) e defendeu a produção própria de vacinas contra covid-19. Segundo ele, o Instituto Butantan e a Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) terão capacidade de produzir mais de 30 milhões de vacinas a partir do próximo mês.

“Para abril vamos contar com as duas fábricas nacionais estabilizadas com números acima de 30 milhões de doses por mês. Eu não estou falando de consórcio da Covax, que foi comprado, de Pfizer, que foi ontem publicado a dispensa de licitação, da Janssen. Tudo isso é importado e também soma, mas o que interessa para nós é a fabricação nacional”, afirmou.

O ministro afirmou que a Fiocruz deve entregar quatro milhões de doses da vacina de Oxford/AstraZeneca ainda em março. Com a entrega constante a partir das duas fábricas, a expectativa é vacinar todos os brasileiros que quiserem receber os imunizantes ainda em 2021.

“É o que nos dá quantitativo e capacidade de vacinar o povo brasileiro em 2021. Até a metade do ano, nossa programação é para vacinar metade do efetivo vacinável e, até o final do ano, todos os brasileiros que quiserem e puderem ser vacinados, serão. Isso aí é para que a gente traga a pandemia para o controle”, completou.

COMPRAS DA VACINA DA PFIZER E DA JOHNSON

O ministro Eduardo Pazuello comentou a confirmação da compra das vacinas Pfizer/BioNTech e da Janssen, que é a divisão farmacêutica do grupo Johnson & Johnson. Ontem o governo federal garantiu que vai adquirir os imunizantes, mas ainda não oficializou a quantidade e nem as datas que as doses serão entregues.

“Ontem nós fizemos, foi publicada no Diário Oficial, a primeira parte da contratação para a compra de toda a produção possível da Pfizer e da Johnson e Johnson até o final do ano. São contratos claros, com cronogramas de entrega e tudo direitinho”, disse o general responsável pela Saúde.

Questionado para detalhar as entregas das vacinas, Pazuello não quis divulgar as informações e disse que ‘está tudo no contrato’.

O ministro havia divulgado a informação da compra dos imunizantes em reunião com a CNM (Confederação Nacional dos Municípios). Segundo ele, a previsão é que 100 milhões de doses sejam obtidos, com entrega ainda no primeiro semestre.

Neste momento, o Ministério da Saúde conta com a CoronaVac, desenvolvida pelo Instituto Butantan em parceria com o laboratório chinês Sinovac, e a vacina de Oxford/Astrazeneca, que é importada pela Fiocruz. Os dois imunizantes tiveram aprovação do uso emergencial pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) enquanto a vacina da Pfizer é a única com registro definitivo. As vacinas contra covid-19 da Janssen, Covaxin e da Rússia, Sputinik V, ainda não têm aprovação para serem aplicadas no Brasil.

PAZUELLO: MOMENTO DURO, MAS CASCAVEL TEM CAPACIDADE DE SE REERGUER

Ministro Pazuello, entre o prefeito Paranhos e o secretário Beto Preto, falou com a imprensa após visita na UPA Brasília. (Divulgação/Prefeitura de Cascavel)

O ministro Eduardo Pazuello aceitou o convite do prefeito de Cascavel, Leonaldo Paranhos (PSC), para visitar a cidade que vive um momento conturbado devido à alta do número de casos da covid-19 no Paraná. Ele aterrissou por volta das 14h e visitou duas unidades de atendimento que recebem pacientes com coronavírus.

No início desta semana, o município enviou uma carta à Sesa (Secretaria de Estado da Saúde) e ao Ministério da Saúde solicitando “apoio imediato de caráter urgentíssimo”. Ontem o MPF (Ministério Público Federal) e o MPPR (Ministério Público do Paraná) ajuizaram ação para que os pacientes de Cascavel que aguardam por leitos sejam transferidos.

O Paraná tem hoje 811 pessoas na fila por atendimento. No total, são 661.791 casos e 11.993 mortes causadas pela covid no Estado. Assim como o governo estadual, Pazuello atribuiu o crescimento à nova variante do coronavírus, chamada de P1. A nova cepa é pelo menos três vezes mais transmissível e repercute em todo o país com mais de 10 estados com alto índice de ocupação de leitos.

“O que a gente observa é que a velocidade da contaminação está muito alta e a gente não tem tempo de se estruturar. É um momento difícil, duro, mas Cascavel e o oeste do Paraná têm estrutura para se reerguer. Com apoio do governo federal, vocês têm essa capacidade e contamos com isso, não dá para se entregar. Tem que ir para cima, voltar a trabalhar, cuidar das pessoas e a vida que segue”, disse.

A pedido do secretário estadual da Saúde, Beto Preto, Pazuello garantiu que o Ministério da Saúde vai fazer o máximo para ajudar o município a evitar o colapso do sistema. Nesta tarde, o governo do Paraná anunciou a abertura de 66 leitos exclusivos para o atendimento de pacientes com covid-19 na região oeste.

Por fim, o ministro da Saúde evitou críticas ao lockdown imposto pelo governador Ratinho Junior (PSD) até o próximo dia 8. Além do fechamento das atividades não essenciais, o Paraná proíbe a circulação de pessoas entre 20h e 5h.

“Essa regulagem, do que é restritivo e do que funciona, é uma função muito difícil para os gestores. É real a dificuldade que vocês têm de fazer isso. Não é uma missão simples. E a gente tem que compreender que essa missão é essa, vamos precisar regular”, finalizou Pazuello.

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