Política
Compartilhar

Fachin rebate ataques de Bolsonaro e ressalta segurança das urnas

Em evento, Fachin rebateu as alegações do presidente, disse que há "negacionismo eleitoral" e reafirmou a segurança do atual sistema eleitoral.

Vinicius Cordeiro - 18 de julho de 2022, 19:17

(Reprodução/Youtube)
(Reprodução/Youtube)

O ministro Luiz Edson Fachin,presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), reagiu aos ataques do presidente Jair Bolsonaro (PL) fez em reunião com embaixadores estrangeiros nesta segunda-feira (18). De forma virtual, Fachin particiou de um evento de combate à desinformação promovido pela OAB Paraná. 

"Quero dizer, sem meias palavras, que há um inaceitável negacionismo eleitoral por parte de uma personalidade pública importante dentro de um país democrático. É muito grave a acusação de fraude, mais uma vez, sem apresentar prova alguma", reagiu Fachin, sem citar Bolsonaro diretamente.

Para o ministro, o debate sobre a segurança nas urnas eletrônicas projetam uma "teia de rumores descabidos e buscam, sem muito disfarce, diluir a própria República e a constitucionalidade". 

Além disso, Fachin rebateu os três principais pontos apontados por Bolsonaro, que transmitiu o discurso aos embaixadores em TV pública

O principal argumento de Bolsonaro é um inquérito da Polícia Federal sobre um suposto ataque hacker ao TSE em 2018. Mesmo sem apresentar provas, ele afirma que os responsáveis do ataque poderiam poderiam alterar nome de candidatos, tirar voto de um e mandar para o outro. 

"Inexiste qualquer possibilidade de adulteração. O acesso indevido, que é objeto de investigação, ocorrido em 2018 não representou qualquer risco à integridade das eleições presidenciais daquele ano", rebateu Fachin, reafirmando a segurança das urnas.

"Também é falso que poderia haver alteração de votos. Até porque as urnas eletrônicas não entram em rede e, por não serem conectadas à internet, não são passíveis de acesso remoto, o que impede qualquer tipo de interferência externa no processo de votação e apuração", completou ele.

Depois disso, Fachin ressaltou que a adoção do voto impresso foi descartada pelo Congresso Nacional. Vale lembrar que o projeto defendido por Bolsonaro foi derrubado na Câmara Federal horas depois do presidente patrocinar um desfile militar em Brasília com cerca de 40 veículos, entre blindados, caminhões e jipes, da Marinha.

FACHIN DIZ QUE MINISTROS SEMPRE ESTIVERAM ABERTOS AO DIÁLOGO

Por fim, o ministro Edson Fachin ainda falou sobre os diversos ataques que ele e os outros ministros do STF sofrem por parte do presidente Jair Bolsonaro e seus apoiadores.

Vale lembrar que os Luís Roberto Barroso, ex-presidente do TSE, e Alexandre de Moraes, que assumirá o comando da Corte Eleitoral no 16 de agosto, também são alvos frequentes dos ataques bolsonaristas.

"Precisamos nos unir e não aceitar a razão de tanto ataque institucional e também ataques pessoais. Sempre estivermos abertos ao diálogo, assim já se deu na gestão que me antecedeu e assim se dará na gestão que me sucederá. Não contra-atacamos. O que rejeitamos é a falta de compromisso com a verdade", finalizou.