Flávio Arns critica acenos à ditadura: ‘É de maior utilidade que o ministro lute pela vida’

Angelo Sfair

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Em resposta ao novo ministro da Defesa, general Walter Souza Braga Netto, o senador paranaense Flávio Arns (Podemos) criticou os acenos do governo federal à ditadura militar. O parlamentar diz que, apesar do golpe de 64, a democracia brasileira se reergueu, e que o Estado de Direito jamais sai engrandecido de um atropelo constitucional.

“O contexto histórico da ocasião a que se reportou o Ministro da Defesa era bem outro do atual. Apenas nestes 12 meses de pandemia, a Covid-19 já matou mais brasileiros do que a II Guerra Mundial inteira, e a própria Guerra Fria, mencionadas pelo Ministro”, apontou o senador, criticando as comparações feitas pelo general.

No primeiro ato público após assumir o Ministério da Defesa, Braga Netto publicou uma ordem do dia em alusão ao golpe do dia 31 de março de 1964. Se valendo de um revisionismo histórico rechaçado por estudiosos do regime militar, o ministro afirmou que o golpe era algo a ser “celebrado”.

Ao Paraná Portal, Flávio Arns afirmou que o governo deveria se preocupar com os desafios dos tempos atuais, como o enfrentamento à pandemia do coronavírus, que já matou mais de 321 mil brasileiros. “Penso que nossas lideranças políticas devem se ocupar do presente e deixar esse passado inglório para a análise dos historiadores”, ponderou.

“É de maior utilidade para o País que, diariamente, o ministro exorte sua tropa na luta pela vida, combatendo com sua estrutura operacional essa doença tão cruel que nos assola”, concluiu Flávio Arns.

O senador Álvaro Dias usou as redes sociais para se posicionar contra aventuras autoritárias. Líder do Podemos no Senado, o parlamentar disse que o partido votará contra qualquer iniciativa de ampliar poderes presidenciais além do que a Constituição estabelece.

“Tenho certeza que os comandantes das nossas Forças Armadas jamais se prestarão a qualquer missão que não esteja em harmonia e observância irrestrita aos preceitos constitucionais”, afirmou.

Procurado pelo Paraná Portal, o senador Oriovisto Guimarães (Podemos) não se manifestou sobre as menções de Braga Netto à ditadura militar. O parlamentar passou o dia em sessão plenária, sendo o relator de um dos projetos analisados hoje (31) pelo Congresso.

O governador do Paraná, Ratinho Junior (PSD), informou que não tinha interesse em se posicionar sobre o golpe de 64.

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