Flávio Bolsonaro entrega loja de chocolates investigada no caso da ‘rachadinha’

Ana Luiza Albuquerque - Folhapress

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O senador Flávio Bolsonaro (Republicanos) entregou a franquia da loja de chocolates Kopenhagen até então administrada por sua empresa no shopping Via Parque, zona oeste do Rio de Janeiro.

O MP-RJ (Ministério Público do Rio de Janeiro) afirma que a loja foi utilizada pelo senador para lavar até R$ 1,6 milhão do esquema da “rachadinha” -recolhimento de salários que teria ocorrido no gabinete de Flávio quando deputado estadual, na Assembleia Legislativa do Rio.

O shopping informou, em nota, que a empresa do senador não é mais responsável pela gestão da loja, que agora é administrada pelo grupo CRM, proprietário da marca Kopenhagen. A informação foi adiantada pelo jornal O Globo.

O grupo confirmou que assumiu a operação da loja no dia 1º de fevereiro e que a empresa de Flávio não é mais um dos franqueados. De acordo com a nota, a transação foi informada ao MP-RJ.

Segundo o site da Receita Federal, a empresa do senador em sociedade com Alexandre Santini, a Bolsotini Chocolates e Café Ltda, continua ativa.

A reportagem procurou a assessoria de Flávio para saber o motivo da entrega da loja, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem.

O senador foi denunciado pelo Ministério Público em novembro do ano passado sob acusação de liderar uma organização criminosa para recolher parte do salário de seus ex-funcionários em benefício próprio. O valor total desviado dos cofres públicos, segundo o órgão, foi de R$ 6,1 milhões.

Também foram denunciados o policial militar aposentado Fabrício Queiroz, ex-assessor apontado como operador do esquema, e outros 15 ex-assessores de Flávio. As acusações são pela prática dos crimes de peculato, lavagem de dinheiro, apropriação indébita e organização criminosa.

Para o Ministério Público do Rio, a loja de chocolates foi uma das formas utilizadas por Flávio para lavar o dinheiro da “rachadinha”, por meio de depósitos em dinheiro vivo.

O volume de depósitos era desproporcional em relação a negócios semelhantes, afirma o MP-RJ.

Os investigadores dizem também que as entradas de recursos em espécie coincidiam com as datas em que Queiroz arrecadava parte dos salários dos empregados do então deputado estadual.

A denúncia contra o senador deve ser analisada em 2021 pelos desembargadores do Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro.

Além disso, o STF (Supremo Tribunal Federal) ainda precisa analisar a reclamação do MP-RJ contra a decisão do TJ-RJ que concedeu foro especial ao filho do presidente.

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