“Fora, Maia”: Frente liderada por Gleisi e Requião pede eleições diretas

Fernando Garcel


Os senadores Roberto Requião (PMDB) e Gleisi Hoffmann (PT) lançaram a “Frente Suprapartidária por Eleições Diretas Já” neste sábado (8), em Curitiba. Movimento antecipou o “Fora, Maia” prevendo a queda do presidente Michel Temer (PMDB). O grupo conta, inicialmente, com o apoio de seis partidos, entre eles o PDT, o PCdoB, o PSB e o PSOL, além de entidades sindicais.

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No evento, que aconteceu pela manhã em hotel da capital paranaense, Requião e a presidente nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), argumentam que o objetivo do grupo suprapartidário é buscar uma saída democrática para a crise política nacional e devolver o voto para a população. “A gente tem que fazer valer a força do povo. Estão brincando com o povo brasileiro. Nós temos uma situação de instabilidade política, institucional e econômica. O Temer está para cair, vai cair e vai assumir um outro golpista e só tem um jeito: chamar uma nova eleição”, declarou Gleisi. 

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O grupo suprapartidário baseia o pedido de eleições diretas no caso de vacância do cargo de presidente da República, caso Temer seja afastado do cargo. No mês passado, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê eleições diretas caso os cargos de presidente e vice-presidente fiquem vagos nos três primeiros anos do mandato. Agora, a PEC aguarda a votação no plenário do Senado e depois, se aprovado, passa por apreciação da Câmara dos Deputados.

“Para a gente aprovar em plenário [no Senado] varia uns 10 dias, se tivermos vontade política, e vai para a Câmara. Se a gente tiver vontade política na Câmara é aprovado em um mês. Se não der para fazer eleição em outubro fazemos no mês seguinte ou no outro mês. O importante é que o povo legitime quem vai governa-lo”, diz a presidente do PT.

A senadora aposta que qualquer pessoa que assuma o governo com a queda do presidente não terá condições de conduzir o país e descarta qualquer hipótese de negociação em um processo de transição entre Temer e Rodrigo Maia. “A única possibilidade de negociação é suspensão de todas as reformas e tramitação com urgência das Diretas. Podemos chegar a um acordo e deter um mandato mais ampliado ao presidente da República e ao invés de fazer de um ano fazer com cinco anos para coincidir com as próximas eleições”, argumentou Gleisi.

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O senador Requião ironizou a possibilidade de Maia assumir o cargo de presidente da República. “Rodrigo Maia foi candidato a prefeito do Rio de Janeiro. Ele fez menos de 3% dos votos”, declarou. “Temer e Maia são exatamente a mesma coisa e o Congresso só vai se mexer com uma grande mobilização popular”, disse o senador.

Reformas trabalhista e previdenciária

Durante o encontro, os senadores chamaram a atenção para a forma com que os parlamentares vão votar os projetos propostos pelo Executivo e a dificuldade de barrar a aprovação das reformas trabalhista e previdenciária. Na ocasião, Gleisi chamou para um possível enfrentamento físico, se for necessário, para paralisar a votação da Reforma Trabalhista, prevista para a próxima terça-feira (11), e ocupar a cadeira da presidência do Senado. “Nós temos que fazer as medidas que eles estão tomando contra a gente e fazer uma resistência radical a essas reformas em nome do povo brasileiro”, disse.

“É um absurdo a falta de sensibilidade que tem o Congresso Nacional. Eles estão fazendo uma reforma sem lastro na opinião pública. Quem dissesse que ia fazer reforma trabalhista não ganharia eleição”, declarou a petista.

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Para Requião, o grupo de parlamentares contrário às reformas no Congresso não será suficiente para conter a aprovação. “Ela tem que ser contida na rua e com manifestações populares. Temos que resistir a uma mobilização financiada por capitais internacionais, do controle absoluto do monopólio de comunicação e da liberalização da economia brasileira que já está fracassada em todo o mundo”, declarou o senador. “Não há condição de conciliação com pessoas que abraçam esse projeto”, disse.

“Temer jamais falou em entregar o petróleo e precarizar o trabalho. Foi um negócio feito com a sua vaidade e desejo de ser presidente da República com os capitais que financiaram a mobilização e os grandes meios de comunicação. O dinheiro não pode dominar a sociedade humana. Não somos chineses. O povo não vai aguentar essa mudança na CLT”, finalizou.

Perspectivas para 2018

Esse é o primeiro evento de Gleisi em Curitiba desde que foi eleita presidente nacional do PT. A senadora é ré em ações penais da Lava Jato junto ao marido, o ex-ministro Paulo Bernardo. Questionada sobre o fim do mandato como senadora no próximo ano e as perspectivas para o ano eleitoral, a senadora declarou apenas que está focada na presidência do PT e com compromissos com o ex-presidente Lula. 

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