Gabbardo diz ter compromisso com Mandetta e descarta ser novo ministro da Saúde

Vinicius Cordeiro

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João Gabbardo, atual secretário-executivo do Ministério da Saúde, declarou que não aceitará qualquer convite para virar ministro. Até então, ele era um dos nomes especulados por integrantes do governo Jair Bolsonaro para suceder Luiz Henrique Mandetta, que já admite a possibilidade de ser exonerado.

Gabbardo é bem visto por ter uma visão mais similar do presidente do que Mandetta. Nas últimas semanas, Bolsonaro deixou claro que vai priorizar a Economia e o desenvolvimento da cloroquina para durante o combate ao coronavírus.

“Tenho um compromisso com Mandetta. O dia que ele sair, eu saio com ele”, cravou Gabbardo.

O atual secretário-executivo disse que completaria, em 2021, 40 anos trabalhando no Ministério da Saúde.

“Não vou jogar no lixo esse meu patrimônio. Se o presidente indicar uma nova equipe, eu não vou abandonar. Vou ficar no Ministério da Saúde todo o tempo necessário para fazer a transição”, completou.

Essa ideia de transição foi declarada pelo atual ministro, Luiz Henrique Mandetta. Segundo ele, é uma responsabilidade de todos os integrantes da atual equipe do Ministério da Saúde que exista essa transição de forma coordenada.

Na visão da atual equipe, essa ‘passada de bastão’ é essencial para que não exista um aumento significativo dos casos e mortes por coronavírus no país. Hoje, o Brasil tem 1.736 óbitos e mais de 28 mil casos.

“Eu pedi essa conduta a todos os outros secretários. Entramos juntos e vamos sair juntos”, completa Mandetta.

MANDETTA ADMITE PROVÁVEL EXONERAÇÃO

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Bolsonaro e Mandetta não têm a mesma visão no combate ao vírus. (Carolina Antunes/PR)

A permanência de Mandetta se tornou insustentável após semanas de conflitos com o presidente Jair Bolsonaro. Hoje, ao lado de Gabbardo, ele declarou que resta “aguardar“.

O estopim foi a entrevista à Globo, mas Bolsonaro adotou uma postura contrária às recomendações das autoridades sanitárias, incluindo a OMS (Organização Mundial da Saúde), desde o início da crise do coronavírus.

Além de pedir o fim do isolamento social, Bolsonaro criticou a imprensa por causar ‘histeria’ sobre a Covid-19, que, na sua visão, trata-se de apenas de uma ‘gripezinha’. Para completar, o presidente prioriza o setor econômico e vê o desemprego como o principal risco da doença.

As ações tiveram reações duras de Mandetta. Em uma reunião com o presidente e outras autoridades, o ministro da Saúde cobrou uma postura mais séria de Bolsonaro: “estamos prontos para caminhões levando corpos?”, questionou.

Mandetta também cobrou que Bolsonaro parasse de menosprezar a doença e fizesse um plano de união com governadores e prefeitos, criticados pelo presidente por adotarem medidas muito restritivas.

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