“Tudo indica que havia uma organização criminosa”, diz Gilmar Mendes sobre força-tarefa Lava Jato

Angelo Sfair

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O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes não poupou críticas à força-tarefa da Lava Jato no MPF em Curitiba e à PGR (Procuradoria-Geral da República) depois de seu nome ser citado por procuradores de 1.ª instância, como Deltan Dallagnol. As revelações acontecem na esteira dos vazamentos divulgados pelo portal The Intercept Brasil e veículos parceiros, com base em mensagens trocadas pelo aplicativo Telegram. O magistrado comparou o grupo que investiga o esquema de corrupção montado na Petrobras a uma organização criminosa.

Novos trechos de mensagens trocadas por procuradores da República foram publicados nesta terça-feira (6) pela edição brasileira do jornal espanhol El País. A reportagem revela que membros da força-tarefa no MPF (Ministério Público Federal) se mobilizaram para coletar informações e dados sobre Gilmar Mendes. O objetivo, segundo o El País, era pedir a suspeição ou até o impeachment do ministro do Supremo.

“Tudo indica que havia uma organização criminosa para investigar”, disse Mendes, ao chegar para a sessão de hoje no STF. O magistrado deixou evidente o descontentamento com o grupo de trabalho dedicado criado no MPF para apurar os crimes relacionados à Operação Lava Jato.

Descrédito 

O ministro do STF afirmou que os vazamentos da Lava Jato resultaram na maior crise do Poder Judiciário desde a redemocratização.

“Isso [os vazamentos] atingiu de uma maneira crucial tanto a Procuradoria-Geral da República quanto a Justiça Federal. As duas instituições estão sendo muito comprometidas. Pelo jogo de combinação, pelas decisões malfeitas, pela má elaboração de peças, por essas atitudes criminosas”, avaliou.

Críticas à PGR

Gilmar Mendes, sem citar diretamente Raquel Dodge, criticou a gestão da PGR.

“Temos que reconhecer: as organizações tabajara estavam comandando esse grupo”, disparou.

O ministro do STF ainda defendeu que o presidente Jair Bolsonaro (PSL) indique um sucessor de Raquel Dodge que seja capaz de restabelecer a credibilidade do MPF. Mendes também fez menção à ética de trabalho da força-tarefa Lava Jato.

“Há um grave problema de gestão sem dúvida nenhuma. Essa é a apenas a ponta do iceberg. Certamente virão mais informações. Vejam: estamos falando de investigações criminosas. Imaginem o que não fizeram nas delações, combinações para colaborações e tudo mais”, criticou.

Providências de Gilmar Mendes

Questionado sobre a atitude que tomaria diante das revelações do El País, Gilmar Mendes indiciou que deverá esperar os inquéritos que apuram os vazamentos de mensagens chegarem aos ministros Alexandre de Moraes e Luiz Fux, relatores das investigações na Suprema Corte.

Perguntado se apoiaria o pedido de afastamento do coordenador da força-tarefa em Curitiba, Deltan Dallagnol, Gilmar Mendes decidiu encerrar a entrevista coletiva e entrar. Antes disso, no entanto, disse que tomaria uma atitude para se defender.

“Eu tomo providências sempre”, resumiu.

Resposta do MPF

Procurada pelo Paraná Portal, a força-tarefa Lava Jato em Curitiba ainda não se manifestou sobre as críticas de Gilmar Mendes.

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