Gleisi cumpre promessa e ocupa cadeira da presidência do Senado

Fernando Garcel


A senadora e presidente do Partido dos Trabalhadores (PT) Gleisi Hoffmann cumpriu a promessa feita durante o lançamento da Frente Suprapartidária por Eleições Diretas Já”, no último sábado em Curitiba, e ocupou a cadeira da presidência do Senado nesta terça-feira (11) para paralisar a votação da Reforma Trabalhista.

A parlamentar paranaense foi acompanhada inicialmente pelas senadoras Fátima Bezerra (PT-RN) e Vanessa Grazziotin (PC do B-AM). Outras senadoras acompanharam o movimento logo depois. Além das três, ocupam as cadeiras as senadoras Jandira Feghali (PCdoB-RJ), Maria do Rosário (PT-RS), Benedita da Silva (PT-RJ), Kátia Abreu (PMDB-TO) e Regina Sousa (PT-PI) e Lídice da Mata (PSB-BA).

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Irritado com a situação, o presidente do Senado Eunício Oliveira (PMDB-CE) decidiu suspender a sessão e ordenou que os microfones fossem cortados e as luzes apagadas. “Nem na ditadura se fazia isso”, reclamou. A ocupação já dura mais de uma hora.

Fotos: Alessandro Dantas / PT no Senado
Fotos: Alessandro Dantas / PT no Senado

Questionada se a atitude era democrática, a senadora declarou que o Brasil vive uma situação de anormalidade. “No momento em que nós não temos uma situação de normalidade, temos um golpe e um presidente denunciado. Não nos resta alternativa que não seja uma atitude anormal. Eles vieram para cá pra aprovar em uma hora essa reforma”, declarou. “Os trabalhadores não podem discutir. Não podem entrar no Congresso. É muita maldade tirar direitos de trabalhadores que ganham dois salários mínimos”, disse Gleisi.

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Contra reformas

No último sábado, Roberto Requião (PMDB) e Gleisi Hoffmann (PT) lançaram a “Frente Suprapartidária por Eleições Diretas Já” neste sábado (8), em Curitiba.

Durante o encontro, os senadores chamaram a atenção para a forma com que os parlamentares vão votar os projetos propostos pelo Executivo e a dificuldade de barrar a aprovação das reformas trabalhista e previdenciária. Na ocasião, Gleisi chamou para um possível enfrentamento físico, se for necessário, para paralisar a votação da Reforma Trabalhista, prevista para a próxima terça-feira (11), e ocupar a cadeira da presidência do Senado. “Nós temos que fazer as medidas que eles estão tomando contra a gente e fazer uma resistência radical a essas reformas em nome do povo brasileiro”, disse.

“É um absurdo a falta de sensibilidade que tem o Congresso Nacional. Eles estão fazendo uma reforma sem lastro na opinião pública. Quem dissesse que ia fazer reforma trabalhista não ganharia eleição”, declarou a petista.

Para Requião, o grupo de parlamentares contrário às reformas no Congresso não será suficiente para conter a aprovação. “Ela tem que ser contida na rua e com manifestações populares. Temos que resistir a uma mobilização financiada por capitais internacionais, do controle absoluto do monopólio de comunicação e da liberalização da economia brasileira que já está fracassada em todo o mundo”, declarou o senador. “Não há condição de conciliação com pessoas que abraçam esse projeto”, disse.

“Temer jamais falou em entregar o petróleo e precarizar o trabalho. Foi um negócio feito com a sua vaidade e desejo de ser presidente da República com os capitais que financiaram a mobilização e os grandes meios de comunicação. O dinheiro não pode dominar a sociedade humana. Não somos chineses. O povo não vai aguentar essa mudança na CLT”, finalizou.

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