Política
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Gleisi diz que foi vítima de delações orquestradas por Figueiredo Basto

Em entrevista coletiva na tarde desta quinta-feira, a senadora Gleisi Hoffmann, presidente nacional do PT, disse que a d..

Andreza Rossini - 21 de junho de 2018, 15:05

Foto de Andreza Rossini
Foto de Andreza Rossini

Em entrevista coletiva na tarde desta quinta-feira, a senadora Gleisi Hoffmann, presidente nacional do PT, disse que a denúncia de corrupção e lavagem de dinheiro da qual foi absolvida, na última terça-feira, pela Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal, é fruto de delações orquestradas pelo doleiro Alberto Yousseff e por seu advogado, Antonio Figueiredo Basto, responsável pelos primeiros acordos de delação premiada da Operação Lava Jato e, hoje, investigado por negociar a proteção de investigados em depoimentos de delatores e manipular delações.

"Eu estava sendo vítima de conluio de um doleiro conhecido de longa data aqui no Paraná, com um advogado que tinha militância política e hoje está sendo articulado de vender e manipular delações, que é o Figueiredo Basto. Foram quatro anos de investigação e tudo o que a procuradoria levou ao STF foi a voz desses delatores, orquestrada pelo Figueiredo Basto", disse a senadora.

 

Para ela, a decisão do STF é um duro golpe na condução da Lava Jato, baseada nas delações premiadas. "Uma certeza eu tenho, não cometi os crimes que me foram imputados. Agora, o STF confirmou isso e colocou nos trilhos, novamente, o processo penal, dizendo aquilo que é óbvio para a sociedade brasileira: não se pode condenar alguém sem provas, não se pode condenar alguém por delação", disse. "O que mais me deixa esperançosa é que foi uma decisão muito firme do STF em relação às delações premiadas. Foi um duro recado à indústria das delações. As delações são importante para o processo investigativo, inclusive elas foram levadas a cabo por um projeto de lei sancionado no governo Dilma. Elas são importante para levantar indícios sobre situações que vão ser investigadas, mas elas jamais poderão substituir provas, se não, elas se transformarão em instrumento de utilização política ou para salvar aqueles que fazem delação. Com essa decisão, a gente restabelece as coisas: as delações têm um papel, mas não podem ser o fundamento da acusação".

Para Gleisi, a decisão do STF no seu caso abre esperança para que a corte reveja a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Começamos o resgate do processo penal, sobre o arbítrio judicial e a politização do processo. "A maioria dos processos iniciados na Vara de Curitiba são processos com alto índice de politização, assim é o do presidente Lula e não tenho dúvidas que no STF ele terá o mesmo final, porque também baseia-se apenas em delações. O caso dele é mais grave, porque já tem uma condenação, mas o Supremo iniciou esse resgate do processo legal. Espero que isso aconteça com o presidente Lula, que hoje é a maior vítima deste estado de exceção que vivemos no Brasil sob o pretexto de se combater a corrupção".

Gleisi ainda é alvo de dois outros inquéritos relativos à Lava Jato no STF, mas se diz segura que também será absolvida, uma vez que eles têm o mesmo objeto. "O MPF tem criado processo para as pessoas juntando processos antigos, isso não pode existir. Acho pouco provável que o supremo queira me julgar de novo pelos mesmos fatos. Qualquer um desses processos tem apenas delações, não tem provas, telefonemas, repasses de recursos, não tem absolutamente nada.".

A absolvição no Supremo não altera a estratégia eleitoral de Gleisi Hoffmann. A senadora reafirmou que não tentará a reeleição e será candidata a deputada federal. "A decisão não é exclusivamente por conta do processo, mas passa sim por isso. Tive, durante quatro anos, uma desconstrução de imagens política devido às acusações e informações que vazaram. Eu não tinha o mesmo espaço para me defender. Quando saiu a acusação, nem o benefício da dúvida foi me dado, passei quatro anos sendo tratada como envolvida na Lava Jato. E isso é óbvio que me custou, não só como cidadã, mas politicamente também, para o partido, também. Quem vai me pedir desculpas por tudo que aconteceu? Quem vai me constituir os anos que tive com problemas na imagem pública? Dos insultos recebidos por minha família ? Isso não tem recuperação, precisamos ser muito cautelosos com as pessoas que estão sendo acusadas. Precisamos ter cautela quanto a isso, não se pode condenar as pessoas antes do caso julgado", concluiu.

Gleisi disse que não sabe se pedirá alguma reparação na Justiça por tais danos. "Queria ingressar contra o Ministério Público, para que eles, como instituição fossem responsabilizados pelas ilegalidades que cometeram, mas não há previsão deste tipo de ação, teria que entrar contra o Estado brasileiro, por isso ainda não avaliei".

O caso

A segunda turma do Supremo Tribunal Federal decidiu, na última terça-feira (19), absolver a Gleisi e seu marido e ex-ministro Paulo Bernado da denúncia dos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, por três votos a dois.

Os ministros Edson Fachin e Celso de Mello chegaram a propor que o crime de corrupção passiva fosse convertido para caixa dois eleitoral (quando um candidato recebe recursos e não declara), mas tiveram os votos vencidos.

De acordo com a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR), o então diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, solicitava quantias ilícitas de empresas interessadas em celebrar contratos com a estatal, e o repasse a agentes políticos era operacionalizado por Alberto Youssef. Segundo a PGR, o diretor fazia isso para garantir sua permanência no cargo, contando com a influência do casal.