Governo de Ratinho Junior vai enfrentar as primeiras paralisações em abril

Redação

A data para a paralisação já está marcada: dia 29 de abril, data que marca o confronto entre professores e policiais militares há quatro anos


O governador paranaense, Ratinho Junior (PSD), convocou a imprensa para apresentar o balanço de 100 dias de gestão e anunciou que os servidores estaduais não terão reajuste salarial neste ano. Com isso, ele deve experimentar as primeiras paralisações em seu governo. Professores, pedagogos, profissionais da educação e agentes penitenciários já marcaram atos para o dia 29 de abril.

As ações dos 100 dias de governo Ratinho Junior e a ameaça de greve dos professores

A paralisação dos professores está marcada para ocorrer no dia 29 de abril, data que marca o confronto entre professores e policiais militares na Praça Nossa Senhora da Salete, em frente à Assembleia Legislativa e o Palácio Iguaçu, em 2015. “Vamos fazer essa paralisação esperando respostas do governo estadual. É um governo novo que tem que responder pelo presente e também pelo passado”, disse a professora Marlei Fernandes, vice-presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação.

Em audiência pública na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) nesta terça-feira (16), Marlei se disse indignada com a falta de respeito com a classe e a falta de negociações com os servidores.

“Nós queremos uma escola melhor. Nós queremos que alunos aprendam mais. Mas queremos condições de realizar esse trabalho. Dia 20 de abril, eu faço 25 anos de concursada e nunca vi na história o sufocamento do nosso trabalho como vejo nos dias de hoje. É necessário mudar essa realidade”, frisou a pedagoga.

O governador Ratinho Junior disse que não consegue dar aumento ao funcionalismo porque o governo anterior não deixou recursos para esse fim. Antes de assumir o cargo, no entanto, Ratinho Júnior havia defendido o reajuste e na condição de deputado assinou um requerimento que cobrava a concessão de 6,5% aos servidores. “Cada 1% de reajuste representa R$ 300 milhões aos cofres públicos”, explicou, agora, o chefe do Executivo.

No balanço apresentado à imprensa, o governador paranaense disse que a reforma administrativa que está sendo feita no Estado já representou economia de perto de R$ 80 milhões e a meta é atingir R$ 274 milhões até o final do ano. Ratinho Junior congelou salários dos secretários, reduziu cargos comissionados e demitiu funcionários.

“Se o governo não pagar, o sistema vai parar”

Na manhã desta terça-feira (16), agentes penitenciários se reuniram em frente ao Palácio Iguaçu e pedem melhores condições de trabalho nos presídios do Paraná. A categoria realizou uma assembleia no local para definir um plano de ação para que estas necessidades sejam atendidas e também para definir o reajuste salarial e uma paralisação convocada, também, para o dia 29 de abril. “Se o governo não pagar, o sistema vai parar”, é o grito do ato.

De acordo com o Sindicato dos Agentes Penitenciários do Paraná (Sindarspen), desde 2010, o número de presos nas penitenciárias do Paraná subiu de 14 mil para 21 mil, enquanto o número de agentes caiu. Das 4.131 vagas na carreira de agentes, atualmente, apenas 3.098 estão ocupadas. Além disso, para atender a demanda, há a necessidade de mais 6.400 vagas na carreira de agente penitenciário, segundo estimativas do próprio Departamento Penitenciário do Paraná (Depen).

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