Governo do Paraná adia prova do PSS em sete dias; MP recomenda suspensão

Angelo Sfair

Atualizada às 19h45
Educação como atividade essencial é aprovada pelos deputados do Paraná

Apesar do auge da pandemia, a Seed (Secretaria de Estado da Educação e do Esporte) decidiu adiar em apenas sete dias a aplicação da prova do PSS (Processo Seletivo Simplificado) para a contratação de cerca de 4 mil professores temporários. O exame, inicialmente marcado para 13, foi adiado para o dia 20 de novembro.

Contraditoriamente, o governo do Paraná alega que a alteração no calendário se dá como “parte das medidas para conter a circulação do novo coronavírus”. Segundo a Seed, dos 47 mil inscritos, cerca de 40 mil candidatos estão aptos a realizar a prova. A pasta pretende aplicar o exame nos 32 Núcleos Regionais de Educação.

O governo do Paraná alega que “serão tomadas todas as medidas de segurança e de higiene para a realização da prova”. Entre elas, a higienização dos locais de prova e a disponibilização de álcool em gel para os participantes. O uso de máscara será obrigatório, assim como o distanciamento de, pelo menos, 1,5 metro.

O MPPR (Ministério Público do Paraná) questiona a realização da prova do PSS. Conforme a Promotoria de Proteção à Saúde, o evento “reúne condições de expor a perigo de contágio ou de infecção não apenas candidatos, colaboradores, fornecedores, mas também a comunidade em geral”.

Em recomendação enviada para o secretário Renato Feder, os promotores defendem que provas ou consultas sejam realizadas somente quando existirem indicativos seguros de maior controle da pandemia. A Seed tem até o final da semana para responder aos questionamentos dentro do prazo legal.

A entidade sindical que representa professores e trabalhadores em Educação avalia que a mudança de data não altera os fundamentos. “Nós continuamos reforçando que não existe qualquer condição de realização dessa prova, seja no dia 13 ou no dia 20 de dezembro”, disse Hermes Silva Leão, presidente da APP-Sindicato.

Contrários à aplicação de provas no auge da pandemia, professores e trabalhadores em Educação chegaram a ocupar o prédio da Alep (Assembleia Legislativa do Paraná). Posteriormente, um grupo fez greve de fome por uma semana. O governo do Paraná não recuou, e encerrou as negociações após a ocupação do prédio público.

Questionada pela reportagem sobre os possíveis riscos da aplicação de provas para 40 mil candidatos em meio ao auge da pandemia de Covid-19, a Sesa (Secretaria de Estado da Educação) se limitou a dizer que “a Seed é a responsável por este tema”.

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