Governo do Paraná pede que população não viaje ao litoral no fim de ano: “fique em casa”

Redação

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O litoral do Paraná está com 100% de ocupação nos leitos exclusivos para tratamento de covid-19. Por isso, o governo estadual apela para que a população não viaje às praias para a celebração das festas de fim de ano e não provoque a disseminação do coronavírus com aglomerações.

Tentando controlar a capacidade da rede hospitalar, a administração vai aumentar o número de leitos disponíveis. O Hospital Regional de Paranaguá, maior complexo médico disponível na região, vai ativar 15 leitos de enfermaria e 5 UTIs (unidades de terapia intensiva). Com isso, vão existir 50 leitos adultos, sendo 25 para cada modalidade, todos voltados para o coronavírus. O centro médico tem ainda 14 UTIs para procedimentos gerais via SUS (Sistema Único de Saúde).

Apesar da ampliação de 67% na estrutura para a população adulta, a Sesa (Secretaria de Estado da Saúde) alerta para a seriedade do panorama atual da pandemia no Paraná. Houve um crescimento do número de casos e mortes em decorrência da doença a partir de novembro, com reflexo imediato também na região litorânea.

“Não existem leitos de sobra, a estrutura é finita. O litoral conta com apenas um hospital que pode ser utilizado, em Paranaguá. Haverá reforço de segurança e fiscalização, mas o que fazer se mais de 2 milhões de pessoas decidirem se aglomerar”, diz o secretário Beto Preto.

Segundo ele, o Paraná está preparando um novo decreto para normatizar o comportamento nas praias durante o verão. A resolução vai orientar também a atuação das forças de segurança pública e as prefeituras municipais no combate a aglomerações e festas clandestinas no período.

“FIQUE EM CASA”, DIZ GOVERNADOR RATINHO JUNIOR

Para evitar o estrangulamento do serviço de saúde, o governador Ratinho Junior também reforça o pedido para a população colaborar com o distanciamento social. O governo ressalta que o distanciamento físico, uso da máscara e higiene com álcool gel ou água e sabão ainda são as formas de prevenção da covid-19.

“Volto a pedir para quem puder ficar em casa. Que as pessoas evitem aglomerações, evitem viajar para as praias do Estado neste período de verão. Estamos fazendo o possível para dar conta, mas sem a ajuda de todos pode ser que os leitos não sejam suficientes. Que falte estrutura para atender a população local e também a itinerante em caso de necessidade extrema”, afirmou o governador.

A principal preocupação com a virada do ano. Em 2019, Guaratuba, Matinhos e Pontal do Paraná reuniram mais de 2,5 milhões de pessoas durante o Réveillon.

“Precisamos ter consciência de que será um Natal, um Réveillon e um verão diferentes. É necessário ficarmos isolados e seguros para que tudo volte ao normal o mais rapidamente possível”, completou Ratinho Junior.

NÚMEROS DO CORONAVÍRUS NO PARANÁ

Os números da Covid-19 no litoral são preocupantes. Os sete municípios têm a segunda maior incidência de casos da doença por 100 mil habitantes no Paraná. São 3.949, enquanto a média do Estado é de 3.113. Apenas a regional de Foz do Iguaçu, no oeste, tem índice pior, com 5.769.

O mesmo vale para o recorte de mortes em razão do vírus. A média na região de praias é de 81,6 óbitos por 100 mil habitantes, contra 61,5 de todo o Paraná. Fica atrás apenas a 2ª Regional, que abrange a Região Metropolitana de Curitiba, com 87,6 de média.

De acordo com o boletim de terça-feira (15), a regional apresentava 100% na taxa de ocupações de leitos, tanto de enfermaria quanto de UTIs. Todos os 30 quartos exclusivos para Covid-19 e os 14 voltados para outras finalidades estavam ocupados. O índice caiu para 95% na quarta-feira (16), mas havia apenas uma UTI livre. Já em relação às enfermarias, eram seis ocupados e quatro livres no Hospital Regional de Paranaguá.

Veja os dados dos sete municípios do litoral do Paraná:

  • Antonina – 1068 casos e 28 mortes.
  • Guaraqueçaba – 158 casos e quatro mortes.
  • Guaratuba – 1320 casos e 28 mortes.
  • Matinhos – 716 casos e 25 mortes.
  • Morretes – 948 casos e 19 mortes.
  • Paranaguá – 6581 casos e 118 mortes.
  • Pontal do Paraná – 973 casos e 21 mortes.

Por fim, vale lembrar que o boletim da covid-19 aponta que o Paraná bateu recordes de mortes em 24 horas. Foram mais 199 vítimas do vírus incluídas no balanço de ontem (16).

Parte do crescimento repentino das mortes pode ser explicado pela inclusão de óbitos em Curitiba que aconteceram entre abril e dezembro, mas que por falhas das secretarias do estado e do município não haviam sido contabilizados. Esse problema do governo, no entanto, explica apenas parte do crescimento. O avanço da pandemia no interior é notório e pressiona o sistema público de saúde. Nas últimas 24 horas, mortes por coronavírus foram notificadas em 69 cidades do Paraná.

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