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Rafael Greca estipula R$ 2,5 bilhões para investimentos em Curitiba em 2021

Divulgação/Twitter

O Paraná Portal segue com a série de entrevistas com os prefeitos eleitos nos dez municípios com maior participação na economia do estado.

Os prefeitos eleitos em Araucária, Cascavel, Curitiba, Foz do Iguaçu, Londrina, Maringá, Paranaguá, Ponta Grossa, São José dos Pinhais e Toledo terão suas entrevistas divulgadas nas próximas semanas.

Após as metas estipuladas por Professora Elizabeth em Ponta Grossa, a segunda entrevista é com o prefeito reeleito de Curitiba, Rafael Greca (DEM).

Greca iniciou em 1º de janeiro seu terceiro mandato na Prefeitura de Curitiba, tendo vencido todas as eleições municipais que disputou na capital paranaense.

Nas eleições municipais de 2020, Rafael Greca conseguiu ser reeleito no primeiro turno, com 59,74% dos votos válidos, equivalentes a 499.821 votos.

Entre as principais metas para a gestão na Prefeitura Municipal, Greca aponta os R$ 2,5 bilhões disponíveis para obras públicas somente em 2021.

Confira abaixo a entrevista completa* com Rafael Greca, prefeito eleito em Curitiba na última eleição:

Uma das prioridades para a saúde pública em 2021 será a vacinação da população contra a Covid-19. Como o prefeito tem trabalhado nesse tema?

Ainda antes do Brasil ter um plano nacional de vacinação, eu telefonei para o governador Dória e manifestei o interesse em comprar a vacina do (Instituto) Butantan. Se o Brasil não tivesse um plano nacional de vacinação, nós faríamos um plano municipal de vacinação. Na graça de Deus, o meu diálogo com o governador (João) Dória sensibilizou muitos prefeitos e governadores, a discussão foi levada ao Ministério da Saúde e nasceu Plano Nacional de Vacinação, que tem todo um rito.

Primeiro vacinamos todos os profissionais de saúde, depois os idosos de mais de 85 anos, depois os idosos com mais de 75 anos, depois os idosos de mais de 60 anos, depois as várias categorias profissionais da sociedade, até que se faça uma imunização completa.

A boa notícia dessa semana é que a Anvisa aprovou a fábrica da CoronaVac lá na China e que isso se soma a qualidade comprovada do Butantan que tem uma tradição que remonta ao ano de 1900. Eu fui levado pelo meu pai, quando era menino, para conhecer o Butantan. O Dr. Clóvis Arns da Cunha, da Sociedade Brasileira de Infectologia, e que foi meu médico de Covid, está também muito animado com outras vacinas como a Moderna e também uma outra da Johnson & Johnson. A vacina da Pfizer é mais complicada, porque teve algumas rejeições recentes na Inglaterra e há também a vacina da Sputnik, que é a vacina da Tecpar (Instituto de Tecnologia do Paraná) com os laboratórios russos.

Mas o tamanho do Brasil é tão grande que todas as vacinas que tenham resultado eficaz são bem vindas. Para Curitiba nós precisamos de pelo menos 1,5 milhão de vacinas, para podermos ficar bem. Porque nós somos 2 milhões de pessoas. Nós tivemos 90 mil que já tiveram Covid e estão recuperadas. Até janeiro devemos ter umas 100, 150 mil pessoas recuperadas.

Agora nós vamos aguardar para ver como vai se desenrolar e eu defendo a ideia de que as cidades também possam comprar além do Plano do Governo Federal. Porque quanto mais fácil isso acontecer, melhor. Eu tenho R$ 20 milhões que eu já separei e ganhei R$ 30 que sobraram do ano fiscal da Câmara. O vereador, presidente da Câmara veio me trazer e eu vou colocar na conta do Covid também, então, R$ 50 milhões em vacinas.

Qual o planejamento para a retomada das aulas nas escolas municipais e particulares de Curitiba?

A ideia é um modelo híbrido. Um dia as crianças vão para a aula e no outro ficam em casa. A escola funciona com meia ocupação. As famílias se organizam com um rígido protocolo, que foi elaborado pela Dra. Maria Silvia Bacila, que coincide com o protocolo do Governo do Paraná, que coincide com o protocolo do Estado de São Paulo. Nós queremos que as crianças voltem para a escola, porque elas passaram muito tempo fora das escolas, elas estão muito tristes, inclusive, estão curtindo muito o Natal porque há a possibilidade de saírem de casa.

As 140 mil crianças da Rede Municipal iniciarão o ano letivo no dia 18 de fevereiro em modelo híbrido. Um protocolo de retorno que tem 10 palavras-chaves: acolhimento com carinho, porque a escola é delas e nós queremos os curitibinhas dentro das escolas. Uso obrigatório da máscara, uso de álcool em gel, distanciamento entre crianças, professores, serventes e as pessoas que trabalham na escola, organização e limpeza dos espaços, transporte escolar com monitoramento, higienização permanente dos ônibus e distanciamento, comitê local de cada escola no monitoramento do Covid, termo de consentimento dos pais que concordam que os pais vão para a escola nessas condições, kits individuais de material pedagógico para que não haja transmissão de vírus e o ensino híbrido.

O nosso serviço vai tentar ser o melhor possível e a pedagogia vai ser retroativa. Ao mesmo tempo que ela vai propor os conteúdos de 2021, ela vai recapitular os conteúdos de 2020. Vai ser mais ou menos como era a estátua do deus romano Janeiro, que era um sujeito com duas caras, uma que olhava para frente e outra que olhava para trás. A nossa professora vai ser um pouco parecida com esse antigo Janeiro. Ela vai olhar para frente e vai olhar para frente todos os meses do ano.

A Prefeitura de Curitiba pretende aumentar impostos para recuperar os impactos financeiros da Covid-19?

De maneira nenhuma, aumento de impostos. A maledicência diz que eu aumento o IPTU, mas a lei de impostos de Curitiba ainda por três anos será aquela votada em 2014, por mensagem do meu antecessor Gustavo Fruet, com a planta de valores imobiliários de Curitiba e com as correções previstas nessa lei. Eu vou manter essa lei até o seu último dia. Quando eu for obrigado a estudar uma nova planta de valores imobiliários, eu vou avaliar a situação da cidade e vou defini-la, mas isso vai ser só no meu último ano desse mandato que vai começar em primeiro de janeiro.

Nós criamos um fundo de aval para empresas, nós criamos um imenso programa de obras. Esse ano (2020) tivemos 15 mil vagas de obras públicas e no ano que vem (2021) teremos 85 mil vagas de obras públicas.

Nós temos um fundo de aval de R$ 10 milhões para os empresários tolhidos pelo Covid. Perto de 1,5 mil empresários já entraram nisso. Como você pega isso? Você vai numa Sala do Empreendedor em uma Rua da Cidadania, fala com o pessoal do Sebrae e faz um treinamento. A notícia boa é que foram muitos mais que 1,5 mil empresários que nos procuraram, mas muitos não fizeram empréstimo algum, eles preferiram só modernizar a sua empresa.

Também estou permitindo que quem tem impostos atrasados pague o Refic Covid-19. Até 27 de janeiro você pode pagar sem multa alguma tudo que você deve para a Prefeitura de Curitiba.

Nós nesse ano só tivemos um pouco de aflição em abril, maio, até junho, depois a economia foi completamente retomada.

Qual sua expectativa para a próxima magistratura na Câmara Municipal, após mais uma eleição com alta taxa de renovação?

Eu continuarei tendo bancada majoritária, eu vejo a democracia como sempre positiva e eu recebo com alegria a vontade do povo, inclusive na escolha da vereadora (Carol) Dartora e de todas as outras pessoas que foram eleitas. Elas todas estão vestidas da dignidade da escolha popular Curitiba.

Mesmo em crise econômica, quais investimentos o prefeito vê como essenciais para o início do próximo mandato?

Nós temos uma invejável carteira de R$ 2,5 bilhões para o ano que vai nascer (2021). Quando acabar essa entrevista, eu vou assinar com a Copel um investimento de R$ 30 milhões para fazermos a pirâmide solar da Caximba com o financiamento do C40, as quarentas cidades do mundo, uma delas Curitiba, voltadas contra o aquecimento global. Nós já tivemos 15 mil empregos, com as obras que eu sustentei nesse período antes e durante a eleição.

Eu me lembro do equívoco de alguns vereadores da oposição que cobravam que a gente acabasse com as obras públicas, com o pretexto de combater o Covid. E eu disse que seria justamente o contrário. Nós mantivemos as obras públicas para vencer o Covid e é o que nós vamos fazer agora também, porque R$ 2,5 bilhões de recursos no Inter 2, no Bairro Novo e na Caximba, no Programa de Energias Limpas, nos projetos sociais e culturais de Curitiba, inclusive o Natal é um grande programa de emprego para artistas, economia criativa, maquiadores, figurinistas, produtores culturais, iluminadores, cenógrafos, carpinteiros, guias turísticos, mixadores de som, nós temos perto de 3 mil pessoas empregadas nesse Natal. Nos dois percursos de luz, o do Parque Barigui acessível também de ônibus pelo Terminal Campina do Siqueira e o do Parque Náutico do Iguaçu, acessível também por ônibus gratuito pelo Terminal do Boqueirão. De maneira que não se pode dizer que a cidade de Curitiba está parada.

Nós procuramos atender todos os segmentos, inclusive o transporte escolar e o transporte turístico, nós cancelamos todas as taxas e tributos do setor nesse período. Também estamos com bom funcionamento dos restaurantes populares, nas mesas solidárias e nos armazéns da família. A Prefeitura foi uma grande parceira da população no enfrentamento do Covid-19. Também grande parceiro foi o Governo Federal através do Programa da Caixa (auxílio emergencial), que não se pode negar, segurou o Brasil nesses dez meses.

Qual o planejamento para a contratação de novos profissionais e na ampliação de estrutura do setor de saúde para os próximos quatro anos?

Eu contratei todos os profissionais de saúde que foram necessários. Para ninguém faltou nada. Eu esgotei todos os concursos públicos de saúde, terceirizei serviços e contratei também por emergência, por PSS. Nós estamos com um grande staff de saúde, nós estamos com sete hospitais emergenciais, nós não fizemos nenhum hospital de campanha, até porque quem fez foi preso hoje (menção ao ex-prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella), por causa disso. E eu tenho orgulho de ter feito hospitais de verdade para nosso povo.

Nós estamos com o Hospital Vitória na Cidade Industrial de Curitiba, nós estamos com o Hospital Instituto Medicina do Paraná, nós estamos com o Hospital Casa de Saúde Santa Irmã Dulce no Tatuquara, nós estamos com a Clínica do Boqueirão, dentro da UPA do Boqueirão, com Clínica da Fazendinha, dentro da UPA do Fazendinha, com a Maternidade Victor do Amaral transformada em hospital exclusivo Covid e com a Maternidade do Bairro Novo transformada em hospital exclusivo Covid.

Nós ainda temos o Hospital Municipal do Idoso, Hospital do Trabalhador, Hospital de Clínicas, Santa Casa de Misericórdia de Curitiba, Hospital São Vicente, Hospital da Cruz Vermelha e o Hospital Evangélico Mackenzie.

De maneira que quem dizia que o povo de Curitiba ia morrer na fila ou na rua, ferrou-se. Porque aos nossos doentes, nada faltou. A boa notícia é que temos mais de 90 mil recuperados, até eu fui recuperado. Virei bolinha de Natal, eu e a Margarita (Sansone). As freiras do Nossa Senhora das Graças fizeram uma bolinha de cristal puseram meu nome dentro. Rafael recuperado da Covid. Margarita recuperada da Covid. Eu nunca imaginei que meu nome fosse enfeitar a Árvore da Vida na porta de um hospital.

O prefeito foi criticado por modificar o contrato com as empresas de ônibus durante a pandemia. Como o senhor justifica essa ação?

Esse regime especial foi criado para desligar a bomba relógio que seria manter o contrato com equilíbrio fiscal para 1 milhão de passageiros por dia em um momento em que o número de passageiros chegou a cair para 180 mil passageiros por dia. Hoje mesmo com a retomada, não chega a 360 mil passageiros por dia.

A tarifa técnica, que é calculada pelos custos do transporte vezes os quilômetros rodados e que é condicionada ao número de passageiros transportados, ela iria explodir. Se nós ouvíssemos essas cassandras malignas da oposição, nós teríamos arrebentado Curitiba no rochedo da incompetência. Porque a tarifa técnica estaria em R$ 10 e eu seria obrigado, como queria a turma do quanto pior melhor, em março a decretar uma passagem de R$ 10, pelo menos.

Quando eu desliguei o antigo contrato e estabeleci um reequilíbrio econômico financeiro, o transporte que antes custava R$ 78 milhões por mês passou a custar R$ 38 milhões por mês, dos quais perto de R$ 18 a R$ 20 milhões saem da Prefeitura. O resto já está saindo da bilheteria.

Eu não vou precisar aumentar a tarifa em março. Eu não tive nenhum problema, nem com o Ministério Público e nem com a Justiça, o povo brasileiro pediu ao Congresso que votasse a mesma coisa em Brasília. Mas infelizmente não colocaram na lei aprovada pelo Congresso de onde iriam tirar o dinheiro e o presidente (Jair) Bolsonaro vetou esse repasse. Agora o Senado está tentando reformar isso. Porque escreva o que eu estou dizendo. Se não houve um subsídio para as outras cidades brasileiras, nós teremos uma guerra do transporte no mês de março. Curitiba ficará fora disso.

Eu não dei nada para os empresários, o lucro das empresas está desligado e o discurso perverso é de gente burra, que graças a Deus perdeu a eleição porque o povo de Curitiba é muito preparado. Curitiba é #cidadeinteligentequevotabem.

Como o prefeito avalia a sua relação com o governador Ratinho Junior e como essa relação é importante para Curitiba?

Eu me dou com todos os governadores e me dei com todos os governadores em todo tempo em que fui prefeito. Me dei até com o Roberto Requião e me dei com todos os presidentes da República e quero me dar também agora. Eu avalio a necessidade de um consórcio metropolitano de transporte. Como nós temos o Conresol (Consorcio Intermunicipal para Gestão dos Resíduos Sólidos Urbanos) no lixo.

A ideia é que Curitiba coloque o quanto custa seu transporte nesse consórcio, mas também a rica Araucária coloque o quanto custa seu transporte nesse consórcio e também a riquíssima São José dos Pinhais coloque o quanto custa seu transporte nesse consórcio e também Colombo e a pequena Itaperuçu vai colocar menos, porque ela vai nos solicitar menos.

Todos os municípios metropolitanos, Curitiba e os nove municípios conurbados e até os municípios mais distantes farão uma única agência reguladora de transporte, que pode ser até operada pela Urbs (Urbanização de Curitiba), se o governador assim entender, e com isso nós avançaremos.

Do subsídio nunca mais vamos nos livrar, porque a integração metropolitana custa dinheiro. Quanto o prefeito de Araucária discursa que o seu transporte é baratinho, ele que tem só 25 linhas, é porque ele joga todo mundo que precisa ir e vir em Araucária na minha conta, mas não me paga. Então nós temos obrigação de estabelecer uma equação de corresponsabilidade no transporte metropolitano.

Nós queremos manter boas relações com todos os governos e eu estou muito unido ao governador Ratinho Junior, pelo meu vice-prefeito, Eduardo Pimentel, que foi para o partido do governador Ratinho Junior, que será meu coordenador de desenvolvimento urbano e de relações institucionais metropolitana.

Na sua visão, o que fez com que a população de Curitiba decidisse escolher a senhor como prefeito por mais quatro anos?

Aforismo latino. Os curitibanos falam português, mas eu gosto de ouvi-los em latim. Amor omnia vincit, o amor tudo vence. Os curitibanos perceberam a minha dimensão infinita de amor pela cidade e me deram a vitória.

Eu os amo, eles me amam e nós amorosamente vamos construir esse nosso paraíso na Terra e leva-lo adiante para um porto seguro, além do maremoto da pandemia.

No ano da vacina, com a esperança, essa companheira da alma como nossa irmã de caminhada.

*entrevista foi realizada no dia 22 de dezembro

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Jorge de Sousa

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