Greca e Fruet usam greve de professores para trocar acusações

Narley Resende


Após receber uma comissão do Sindicato dos Servidores do Magisterio Municipal de Curitiba (Sismmac) para uma conversa sobre as reivindicações da categoria, o prefeito Rafael Greca (PMN) disse que não seria possível instituir o Plano de Carreira dos servidores neste momento.

Os professores entraram nesta sexta-feira (24) no nono dia de greve. Além de promessa de campanha, o Plano de Carreira do Profissional do Magistério de Curitiba é previsto em lei municipal. O cumprimento da norma, que deveria ser integralmente aplicada em janeiro de 2017, é a principal reivindicação dos professores para acabar com a greve.

A categoria também exige contratações para preencher vagas em aberto. Greca se comprometeu a contratar cerca de 700 professores no início do próximo semestre. Este seria o único avanço da reunião, se acordo com o sindicato da categoria.

Uma assembleia dos professores está marcada para às 14h desta sexta-feira (24) na Praça Santos Andrade, no Centro de Curitiba. Na próxima semana estão marcadas mais duas reuniões para tratar do assunto. Elas devem ocorrer na segunda e quinta-feira.

O sindicato dos professores municipais afirma que 50% da categoria aderiu à paralisação. De acordo com balanço da Secretaria Municipal da Educação, 61 escolas foram afetadas pela greve na manhã desta sexta-feira. De acordo com a secretaria, 124 das 185 escolas municipais funcionavam normalmente. Outras 35 fazem atendimento parcial e 26 escolas não funcionam.

Políticos trocam farpas

Nesta sexta-feira (24), o ex-prefeito Gustavo Fruet (PDT) publicou nota em reação às acusações do atual prefeito de que não haveria “previsão orçamentária” para aplicação do plano de carreira do magistério. “Mais uma vez tentando justificar o não cumprimento das promessas de campanha”, afirmou o ex-prefeito.

O plano deveria ser implementado em até 24 meses após a sanção assinada por Fruet em 2014. A medida envolve 9.890 profissionais da categoria O custo do plano seria de R$ 4 milhões em 2014, R$ 32,7 milhões em 2015 e R$ 78,8 milhões em 2016. De acordo com Fruet, duas etapas foram cumpridas.

“O plano de carreira do magistério foi construído e sancionado em nossa gestão. Em 2016, implantamos duas etapas. Seguimos o cronograma de implantação, que previa o pagamento da última etapa de enquadramento para janeiro de 2017. Isso é feito por decreto e somente o atual prefeito podia fazê-lo”, aponta Fruet na nota.

O ex-prefeito também admite as dificuldades da situação fiscal da prefeitura. “Estabelecemos 30% do orçamento para educação e projetos que colocam Curitiba como a melhor educação entre as capitais.
Não menti nas eleições, sempre deixando clara a situação fiscal e quais prioridades”.

Em contra-ataque, Fruet lembra um dos motes de campanha do adversário. ‘Lembro que o Greca de forma leviana afirmava: “Se está difícil para você, deixa que eu faço”. A prioridade dele deve ser outra!”, acusa.

Greca

Nessa quinta-feira, em áudio divulgado pela assessoria de imprensa apóa a reunião do prefeito com os sindicalistas, Greca disse que a gestão anterior não deixou o pagamento do plano de carreira previsto no orçamento.

“Mostrei a eles a grave siduação financeira da prefeitura, a necessidade de uma reprogramação da nossa previdência e uma reengenharia no plano de cargos e salários, inclusive. Mostreia a eles que o plano de cargos e salários como foi deixado pelo meu antecessor sem cobertura orçamentária em 2017 é como um cheque sem fundos. Propus honrar esse plano de cargos e salários quando se restaurar o equilibrio fiscal e financeiro da prefeitura de Curitiba, coisa que nós estamos trabalhando”, disse.

“Neste ano não é possivel porque eles deviam ter fiscalizado o prefeito anterior para colocar na lei orçamentária. Falharam, deviam vaiar a ex-secretária de Educação quando ela vai na greve”.

“Eu tenho muita esperança que abandonem a causa da greve pela greve e percebam que estamos todos no mesmo lado”, disse Greca.

Dívida da gestão

Greca voltou a falar sobre a suposta dívida de R$1,2 bilhão da Prefeitura. “Nós não podemos assumir hoje maiores despesas porque a nossa dívida é de dois lançamentos inteiros de IPTU. R$1,2 bilhão são dois anos de IPTU. Agora, é nosso entendimento honrar todos os compromissos com a educação. E eu não abro mão de que reponham as aulas para os curitibinhas. A gente não pode colocar as crianças como reféns de causas sindicais ou trabalhistas”.

Sobre a dívida, Fruet diz que o número é manipulado. ” Omite a verdadeira situação fiscal, que deixei claro durante as eleições. De forma desonesta, misturam dívida consolidada, flutuante e não empenhado. Tudo isso em um cenário inédito de queda do PIB o que levou a um rigoroso ajuste fiscal com o incremento de receitas para este ano”, diz o ex-prefeito.

 

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