Greca é reeleito prefeito de Curitiba no 1º turno

Vinicius Cordeiro

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Rafael Greca (DEM) foi reeleito prefeito de Curitiba neste domingo (15). Ele está com 59,77% dos votos válidos com 95,12% das urnas apuradas, o que garante a vitória da eleição ainda no primeiro turno. Com isso, ele segue na administração da capital paranaense até o dia 31 de dezembro de 2024 e cumprirá seu terceiro mandato.

O resultado foi confirmado às 19h41, mais de duas horas depois da primeira parcial divulgada. Em nota, o TRE-PR (Tribunal Regional Eleitoral do Paraná) afirmou que houve lentidão no processo da soma dos votos e assegurou que o atraso não teve qualquer relação com o vazamento de dados pessoais de servidores e nem mesmo tentativa de ataque cibernético registrada pela manhã.

Goura (PDT) aparece na segunda colocação com 13,26% dos votos válidos e Fernando Francischini (PSL), apontado no início da corrida eleitoral como principal adversário de Greca, amarga o terceiro lugar com 6,26% do eleitorado. Os dados serão atualizados na matéria quanto todas as urnas forem apuradas.

Vitorioso, Greca teve a campanha marcada por ter contraído a covid-19 e fugir dos debates. Ele desenvolveu uma pneumonia leve por causa da doença no final de setembro, mas se recuperou em poucos dias e retomou normalmente sua função na prefeitura.

Além disso, Greca também usou a mesma estratégia do presidente Jair Bolsonaro na eleição de 2018. Ele não participou de nenhum debate e chegou a desmarcar entrevistas pré-agendadas. Com apenas as postagens pelas suas próprias redes sociais e poucas aparições, ele conseguiu a reeleição sem precisar ficar frente à frente com qualquer outro candidato.

Greca foi votar no Colégio Júlia Wanderley, no bairro Batel, às 9h da manhã. Ele passou a tarde em casa e, após comparecer ao TRE-PR (Tribunal Regional Eleitoral), vai comemorar a vitória em seu comitê na Vila Hauer.

No entanto, a celebração deve durar pouco. Curitiba tem aumento recorde nos casos confirmados de coronavírus. Ontem (14) foi o terceiro dia seguido com mais de 700 confirmações, marca jamais registrada nesta pandemia. Em entrevista exclusiva, o diretor do Centro Epidemiológico da SMS (Secretaria Municipal da Saúde) Alcides de Oliveira atribuiu a alta ao “fator feriado” no início do mês e disse que a prefeitura não deve restringir as atividades por enquanto.

ELEIÇÃO EM CURITIBA É MARCADA POR FOLGA DE GRECA E ALTERNÂNCIA NA SEGUNDA COLOCAÇÃO

Rafael Greca, que voltou ao partido Democratas em 2019, foi favorito do início ao fim das Eleições 2020. Por causa da aliança feita com o governador Ratinho Junior (PSD), viu dois adversários fortes – Ney Leprevost (PSD) e Luciano Ducci (PSB) – desistirem da corrida eleitoral.

Nesse cenário, Greca foi apontado o favorito ao cargo de prefeito de Curitiba da primeira à última pesquisa eleitoral.

O momento “mais crítico” da corrida eleitoral foi quando o adversário Fernando Francischini (PSL) fez uma série de acusações à atual administração. Greca foi acusado de favorecer familiares em contratos das obras no asfalto da cidade, desviar dinheiro da prefeitura e desapropriar terrenos da própria família com recursos do PAC (Plano de Aceleração do Crescimento) 2, do governo federal, em projeto contra enchentes. Francischini chegou a protolocar, no MPF (Ministério Público Federal), representação contra Greca por improbidade administrativa.

A estratégia não deu certo e Francischini, que era apontado como segundo lugar nas pesquisas, acabou perdendo a colocação para Goura (PDT), deputado estadual.

Em entrevista coletiva, Greca afirmou que a campanha dos adversários foi medíocre.

GRECA TEVE COVID-19 DURANTE CAMPANHA E FUGIU DE DEBATES

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Greca deixando o hospital após ter se recuperado da covid-19. (Divulgação)

Rafael Greca e a primeira-dama Margarita Sansone foram diagnosticados com covid-19 no dia 22 de setembro. Eles foram internados em um hospital de Curitiba cinco dias depois. O prefeito tinha uma pneumonia leve enquanto Margarita desenvolveu a doença de forma moderada.

Contudo, a recuperação de Greca foi em três dias. Ele foi atendido pelo médico Clóvis Arns, presidente da SBI (Sociedade Brasileira de Infectologia) e que atuou como consultor da Secretaria Municipal da Saúde durante a pandemia de covid-19. Mesmo com a alta, Greca ficou de repouso domiciliar por alguns dias antes de voltar à prefeitura.

Enquanto estava internado, o Paraná Portal elaborou uma linha do tempo e apurou que Greca passou a fazer exames para covid-19 após um encontro presencial com o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM). os dois se reuniram na prefeitura de Curitiba no dia 12 de setembro, quatro dias antes do parlamentar testar positivo para a doença. Desde que viu o anúncio de Maia, Greca entrou em isolamento social.

Além disso, a linha do tempo do Paraná Portal ainda prova que Greca já sabia que estava infectado quando divulgou que não iria participar do que foi o único debate da TV aberta, promovido pela Band, na eleição em Curitiba.

Ao justificar a ausência, Greca preferiu não revelar que estava infectado. Por meio de um vídeo publicado nas redes sociais no dia 24, ele afirmou que o ambiente da emissora não estava “de acordo com as normas de segurança sanitária, com as distâncias respiratórias necessárias”.

Em nota, a Band rebateu e afirmou que cumpriu todos os protocolos. O ambiente de 128 m², que contou com divisórias de acrílico entre os púlpitos, foi elogiado pelos demais candidatos.

Todavia, a ausência nos debates foi uma estratégia de Greca, que não participou de nenhuma conversa pública com qualquer outro candidato e que chegou a cancelar entrevistas com alguns veículos de comunicação.

QUEM É RAFAEL GRECA

(Geraldo Bubniak / AGB)

Rafael Greca é formado em engenharia e funcionário aposentado no Ippuc (Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba).

Ele começou sua trajetória política em 1982, quando foi eleito vereador pelo PDS. Depois, no início dos anos 90, migrou para o PDT com Jaime Lerner, então prefeito da capital paranaense e que foi uma espécie de padrinho político para o engenheiro. Em 1992, Greca foi eleito prefeito de Curitiba pela primeira vez.

Depois do seu primeiro mandato, filiou-se ao PFL (atual DEM) e foi escolhido como ministro do Esporte e Turismo pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso. Após a passagem pelo governo federal, mudou-se para o PSDB. Em 2012, perdeu a eleição para prefeito (vencida por Gustavo Fruet) ainda no primeiro turno.

Em 2016, foi candidato pelo PMN e venceu Ney Leprevost no segundo turno com 53,25% dos votos após derrubar Fruet no primeiro turno. No ano passado, acertou sua volta ao Democratas e agora se tornou reeleito com folga.

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