Greve dos servidores e movimento de militares batem à porta do Palácio Iguaçu

Redação


A greve dos servidores públicos, puxada pelos professores e programada para o dia 25 de junho, somada ao movimento dos policiais militares – ativa e reserva- pelo pagamento de 4,94% referente à inflação dos últimos 12 meses, leva o governador Ratinho Junior a experimentar a primeira greve em seus seis meses de governo.

Os servidores fecharam questão pela paralisação geral no Estado durante assembleia na APP-Sindicato no sábado (15) e os militares, unidos em 25 associações, se reúnem nesta segunda-feira, para decidirem quais as medidas irão tomar também em em relação ao reajuste inflacionário e data-base que venceu em maio.

Polícia Militar

“Estamos no limite. Realizamos oito reuniões com representantes do governo e em nenhuma delas o governador participou, o que demonstra descaso e falta de respeito com os militares”, disse o presidente da Associação da Vila Militar da PM, Coronel Washington Rosa. “O governador Ratinho Junior, quando deputado e mesmo em campanha, sabia da situação dos militares e mesmo assim hoje nos ignora”, observou o coronel.

Segundo o presidente da associação representativa da Polícia Militar, a “situação junto a alguns setores da Polícia Militar está crítica e estamos contornando grupos radicais que ameaçam até fechar quarteis. Não vamos permitir isso em respeito à sociedade e à própria imagem da Polícia Militar, mas o governador precisa nos respeitar e, pelo menos, nos ouvir pessoalmente”, disse.

Professores

De acordo com a APP-Sindicato, que representa os professores do Estado, e a maior massa de servidores, a atual gestão segue a prática do ex-governador Beto Richa (PSDB) de subestimar as previsões de arrecadação para tentar justificar a falta de reajuste ao funcionalismo público.

Sem reajuste desde 2016, os servidores contabilizam cerca de 17% de defasagem nos rendimentos, o que representa cerca de dois meses de salários por ano. Agora, com a data-base vencida em maio, a categoria reivindica 4,94% de reajuste referente a inflação dos últimos 12 meses e uma proposta para o pagamento dos reajustes dos anos anteriores.

Segundo o presidente da APP-Sindicato, Hermes Leão, a categoria deve enviar cartas aos alunos, pais e comunidade para explicar a necessidade da greve. “Nós não estamos indo para uma greve como um instrumento que usamos a cada ano. Nós estamos no quarto ano sem qualquer reajuste salarial”, explica.

Ele também lembra de atitudes de governo que contradizem o discurso de falta de recursos. “Ao invés do governador Ratinho Júnior debater com os servidores, ele faz uma política de R$ 11 bilhões de isenções para grandes empresários enquanto o nosso reajuste salarial – que é infinitamente menor – continua com o discurso da impossibilidade”, comenta Hermes Leão.

Governo do Paraná

Por meio de nota, o Governo afirmou que tem intenção de manter conversas com os servidores para encontrar as soluções necessárias e reiterou que, em uma reunião na semana passada, ficou acertado que as negociações seguiriam abertas.

Leia a íntegra da nota: 

“O diálogo é único caminho para o entendimento. Por isso, o Governo do Paraná reafirma a intenção de manter o debate pleno com os servidores estaduais para que sejam encontradas, de maneira conjunta, soluções para as questões que envolvem aumento da despesa com a folha de pagamento do funcionalismo.

Na última sexta-feira (14), um grupo de dirigentes do Fórum das Entidades Sindicais do Paraná (FES) foi recebido no Palácio Iguaçu e apresentou relatório da entidade a respeito das contas públicas. Ficou ajustado que os dados serão avaliados e as negociações permaneciam abertas, de forma que possam ser encontrados pontos de consenso e interesse comum.

Isso está mantido. A equipe do governo está trabalhando com o objetivo de encontrar um caminho de equilíbrio, que não coloque em risco as contas públicas, e não acredita que qualquer medida extrema seja o caminho a ser seguido por parte das lideranças sindicais.”

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