Grupo liderado por Temer desviou mais de R$ 1,8 bilhão, diz MPF

Vinicius Cordeiro


A Lava Jato do Rio de Janeiro prendeu o ex-presidente Michel Temer, o ex-ministro Moreira Franco e outros oito envolvidos em uma organização criminosa na manhã desta quinta-feira (21). Segundo o Ministério Público Federal (MPF), o grupo desviou mais de R$ 1 bilhão e 800 milhões de reais.

São apurados crimes de corrupção, peculato e lavagem de dinheiro em razão de pagamentos de propinas para o grupo liderado por Temer.

Tirando Temer e Moreira Franco, até agora outras quatro pessoas foram presas (três delas preventivamente): João Baptista Lima Filho, o Coronel Lima, Maria Rita Fratezi, Carlos Alberto Costa e Carlos José Zimmermann, preso temporariamente. Outro que teve foi pedido de prisão temporária foi Rodrigo Castro Alves Neves, que ainda tem o mandado pendente, assim como Carlos Alberto Costa Filho, Vanderlei de Natale e Carlos Alberto Montenegro Gallo. Vale lembrar que a prisão preventiva é caracterizada pelo alvo não ter previsão sobre sua soltura.

Além disso, foram realizados mandados de busca e apreensão nos endereços de Maristela Temer, Othon Luiz Pinheiro da Silva, Ana Cristina da Silva Toniolo e Nara de Deus Vieira, além dos investigados e nas empresas vinculadas a eles.

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A investigação é desmembramento das operações Radioatividade, Pripyat e Irmandade, encaminhada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para a 7ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro. Além disso, as averiguações ainda indicaram que um braço da organização trabalhava em atos contrainteligência, ou seja, tinha como intuito atrapalhar e despistar as ações dos investigadores.

Investigações

A Operação Radioatividade identificou irregularidades na construção da usina nuclear de Angra 3, onde foram praticados os crimes de cartel, corrupção ativa e passiva, lavagem de capitais e fraudes à licitação. Othon Luiz Pinheiro da Silva, Ana Cristina da Silva Toniolo e José Antunes Sobrinho já foram condenados nesta Operação.

Argeplan, AF Consult Ltd e Engevix seriam as três empresas contratadas no esquema criminoso e responsáveis para executar o projeto de engenharia  para a execução do contrato de projeto de engenharia eletromecânico 01, da usina nuclear de Angra 3.

A Eletronuclear contratou empresa AF Consult Ltd, associada às empresas Engevix e AF Consult do Brasil. Essa última conta com participação da empresa AF Consult Ltd e Argeplan, que é ligada a Michel Temer e ao Coronel Lima. A propina, em benefício a Temer, foi solicitada por Coronel Lima e paga no final de 2014, totalizando um valor de R$ 1 milhão e 91 mil. José Antunes Sobrinho, dono da Engevix, foi o delator do caso.

Segundo as investigações da Lava Jato, os pagamentos feitos à AF Consult do Brasil possibilitaram o desvio de R$ 10 milhões e 859 mil reais, já que a empresa não possuía capacidade técnica, nem pessoal para a prestação dos serviços para os quais foi contratada. Além disso, diversas pessoas físicas e jurídicas na rede de lavagem de ativos de Michel Temer continuam movimentando valores ilícitos, além de ocultar valores fora do país.

De acordo com o MPF, quase todos os atos comprados por meio de propina continuam em vigência e muitos dos valores prometidos como propina seguem pendentes de pagamento ao longo dos próximos anos.

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