Guedes nega pedido de demissão a Bolsonaro e fala em ‘briga’ com ala política

Vinicius Cordeiro

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O ministro Paulo Guedes, da Economia, negou que tenha pedido para deixar o cargo. Em pronunciamento ao lado de Jair Bolsonaro, ele ressaltou que falta tolerância ao atual governo e que a economia brasileira está ajustada, além de agradecer a confiança do presidente.

“Não pedi demissão em nenhum momento. Em nenhum momento o presidente insinuou qualquer coisa semelhante. Quando eu me referi ao André Esteves [do BTG Pactual] é porque eu soube enquanto estava lá fora, que teve movimentação política”, disse Guedes.

O ministro da Economia, no entanto, admite que furou o teto de gastos. Segundo ele, o orçamento previa gastos de R$ 300 milhões com o Auxílio Brasil, sucessor do Bolsa Família, e agora o governo destinará R$ 400 milhões aos programas sociais para ajudar a população ‘mais frágil’.

“Tem uma ala que pede auxílio de 500, 600 e 700 reais. Uma ala econômica que diz que o teto é de 300 reais. Cabe ao presidente fazer essa arbitragem e a mim fazer essa avaliação até onde pode ir. Teto é símbolo de austeridade, mas não vamos deixar milhões passarem fome para tirar [nota] 10 em política fiscal e 0 em assistência aos mais frágeis. Eu estou feliz em furar o teto? Não estou. Eu detesto furar o teto”, completou ele.

DEMISSÕES NO MINISTÉRIO DA ECONOMIA EXPÕE CRISE COM PAULO GUEDES

Quatro secretários do Ministério da Economia pediram demissão alegando motivos pessoais. Bruno Funchal, secretário do Tesouro e Orçamento, Jeferson Bittencourt, secretário do Tesouro Nacional, Gildenora Dantas, secretária especial adjunta do Tesouro e Orçamento, e Rafael Araujo, secretário-adjunto do Tesouro Nacional, pediram o desligamento da pasta por discordar das manobras feitas para atender o acréscimo do auxílio.

Para Paulo Guedes, o movimento foi natural. Vale lembrar que a equipe econômica vinha sofrendo pressão do Planalto para aumentar os valores dos benefícios sociais.

“O barulho é tão ensurdecedor que às vezes eu preciso ficar calado”, disse Guedes sobre não ter se pronunciado antes.

O que se sabe até agora é que o ex-ministro Esteves Colnago, responsável pela pasta de Planejamento durante o governo Michel Temer, ocupará a vaga de Bruno Funchal na secretaria especial de Tesouro e Orçamento do Ministério da Economia.

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