Guto Silva fala sobre greve, reajuste da água e a redução do número da criminalidade

Pedro Ribeiro e Simone Giacometti

Em entrevista ao Paraná Portal, o Chefe da Casa Civil mostra ações cirúrgicas para estancar a sangria dos gastos e vislumbra um horizonte promissor e esperançoso para o Paraná

Ameaça de paralisação dos professores e servidores insatisfeitos com a falta de reajuste e o aumento das tarifas de água e esgoto são dois fatores que podem provocar desgaste político no governo Ratinho Junior neste mês de abril e estão sendo estudados com cautela e zelo pelo pragmático secretário-chefe da Casa Civil do governo estadual, deputado Guto Silva.

“Entendemos a posição dos servidores em relação ao reajuste, mas não podemos atendê-los neste momento, por falta de caixa e por não constar no orçamento de 2019, encaminhado em 2018 à Assembleia Legislativa. Vamos corrigir a defasagem a partir do próximo ano”, afirmou entrevista ao Paraná Portal. “A greve, se acontecer, não será bom para ninguém, pois temos que ter maturidade suficiente para dialogar com os servidores que precisam, sim, serem valorizados”, disse.

Em relação ao aumento da tarifa de água e esgoto da Sanepar que poderá ser de 12,13%, Guto Silva observa que a demanda da companhia foi analisada e homologada pela Agência Reguladora do Paraná (Agepar) que entendeu as necessidades da Sanepar em função da defasagem provocada pelo congelamento das tarifas entre 2005 e 2010.

Recentemente, o presidente da Sanepar, Eugênio Stábile, anunciou a um grupo seleto de investidores que pretendia reajustar nos próximos três anos a tarifa de água e esgoto em 25,63%, encurtando o prazo que se estenderia até 2025. Este anunciou causou mal estar junto à sociedade e teve repercussão negativa também no Palácio Iguaçu. O presidente da Sanepar e o diretor da Agepar, Omar Akel, foram convocados para prestar esclarecimentos sobre o reajuste na Assembleia Legislativa em sessão que será realizada terça-feira, dia 23.


> Presidentes da Sanepar e da Agepar vão responder na Alep sobre aumento da tarifa de água e esgoto

O secretário, que falou sobre os investimentos de R$ 40 bilhões e geração de 500 mil empregos, adiantou também números que considera positivo na área da segurança pública e que serão divulgados pelo governador Ratinho Junior. Os homicídios diminuíram em 30% em Curitiba e região metropolitana e perto de 50% em Londrina.

O Paraná Portal foi recebido nesta quarta-feira, dia 17, pelo chefe da Casa Civil, Guto Silva, 42 anos, devoto de São Sebastião, que apresentou um diagnóstico sobre o governo do Estado nestes primeiros 100 dias de gestão. Disciplinado e engajado nas propostas do governador Ratinho Junior de transformar o Paraná em referência de administração pública moderna e eficiente, o secretário, banhado de sensibilidade e com honestidade de propósitos, o jovem empresário que nas horas vagas faz poesias e toca bateria, concedeu a entrevista que teve a participação da jornalista Simone Giacometti.

Paraná Portal – Com a aprovação da reforma administrativa do Executivo, o governo seguirá seu rumo. Como ficam, nesta jornada que se inicia, os alertas amarelos do Tribunal de Contas e da Secretaria do Tesouro Nacional em relação aos limites prudenciais da Lei de Responsabilidade Fiscal?

Guto Silva – A reforma administrativa que o governo encaminhou à Alep é constituída por três etapas. A primeira lei diz respeito à eficiência da máquina administrativa, onde reduzimos o número de secretarias, de pessoal comissionado e já economizamos perto de R$ 80 milhões. A segunda se refere ao programa de Integridade e Compliance, cujo objetivo é garantir o cumprimento de todas as regras, leis e regulamentos aplicados aos órgãos e secretarias, o que reafirma o compromisso do governo com a ética e a transparência nos atos de governo. A terceira lei foca a eficiência na gestão, onde criaremos indicadores que nos permitam administrar sem infringir os gastos com pessoal e a própria Lei de Responsabilidade Fiscal.

Paraná Portal – Na proposta da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para 2020, o governo pretende reduzir repasses do Poder Legislativo que hoje recebe 5% e passaria a receber 4,73%, Judiciário, hoje é contemplado com 9,5% e passaria a receber 8,09% e o Ministério Público, hoje com 4,1% passaria a 3,88%. Com isso o Estado teria seu orçamento engordado em mais R% 550 milhões. O governo não espera uma reação dura desses órgãos?

Guto Silva – O Governo encaminhou a proposta para a Assembleia Legislativa e agora a próxima etapa é dialogar com estes órgãos e encontrar uma saída para que não haja prejuízo para nenhum deles. Nós acreditamos na sensibilidade e no espírito estadistas dessas lideranças.

Paraná Portal – O Governo fala em vender a Copel Telecom e a Compagás. Seria o início de um processo de privatizações no Governo Ratinho Junior?

Guto Silva –  Não. A possível venda da Copel Telecom se baseia em estudos realizados por técnicos do Governo e da Copel. Esta empresa acabou realizado, por força de sua natureza de negócios, muitos investimentos fora do Paraná e a Copel quer canalizar recursos para investir na produção e distribuição de energia dentro do Estado para atender, por exemplo, os produtores rurais. Em relação à Compagás, como o próprio governador disse, é para uma segunda etapa. Nós, jamais, pensamos ou faremos a privatização da Copel.

Paraná Portal – O governo fala em investir R$ 40 bilhões nos próximos três anos e gerar 500 mil empregos. Como se chega a esses números de investimentos e de empregos?

Guto Silva – São estudos com base em composições de investimentos privados (políticas públicas privadas) e investimentos do próprio governo. Esta semana, por exemplo, a Klabin Indústrias de Papéis anunciou investimentos de R$ 9 bilhões. Somados à prospecções de outros investimentos, como da Anbeve, Itaipava e outras empresas que estão para assinar protocolos de instalação no Estado, temos R$ 15 bilhões. Portanto, este número de R$ 40 bilhões é bastante viável dentro da nossa política de atração de investimentos nacionais, internacionais e dos próprios empreendedores paranaenses. Temos ainda previsões do BRDE e das próprias estatais.

Paraná Portal – Como o senhor avalia a reforma da Previdência?

Guto Silva – A reforma da Previdência é necessária. O país precisa marcar um encontro com a verdade e esta reforça é essencial pois, sem ela, o país corre um sério risco.

Paraná Portal – Pelo balanço dos 100 dias do governo, o Paraná vai muito bem. A cada governo que entra, o pedágio é o tema central das discussões. Como o Governo Ratinho Junior está avaliando a questão deste tão discutido e polêmico tema?

Guto Silva – Nós avaliamos a questão sob dois pontos: o antes e o depois. A situação atual está sendo avaliada pelo Ministério Público e já vemos algumas concessionárias negociando leniência, o que poderá reduzir as tarifas em até 50% sem risco para a realização de obras. Em 2021, quando terminar os contratos do Anel de Integração, o governo vai fazer nova licitação e incluir neste pacote, mais mil quilômetros de rodovias. Temos certeza de que as tarifas do pedágio no Paraná vão ter redução e as obras não terão solução de continuidade.

Paraná Portal – O governador Ratinho Junior disse durante entrevista para a imprensa que a construção do novo porto em Ponta do paraná é essencial para o crescimento e desenvolvimento de toda a região litorânea e lamenta que existe, hoje, um cabo de guerra entre empresários do Porto de Paranaguá e de Pontal, o que vem atrasando o empreendimento. O governo vai fazer as obras necessárias da faixa de infraestrutura para a viabilização do novo porto?

Guto Silva – Sim, com certeza. Estamos aguardando apenas algumas pendências que estão no Ministério Público e que se referem à questões ambientais, para podermos dar início às obras que mudarão a paisagem do nosso litoral, gerando renda e empregos, além de fomentar o turismo. 

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Pedro Ribeiro
Pedro Ribeiro é jornalista com passagens pela Gazeta do Povo, Folha de Londrina e O Estado do Paraná. Foi pioneiro com a criação do jornal eletrônico Documento Reservado e editor da revista Documento Reservado. Escreveu três livros e atuou em várias assessorias, no governo e na iniciativa privada, e hoje é editor de política do Paraná Portal.
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